quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

03. Descascando rejeições

INÍCIO DO PUNK - THE VELVET UNDERGROUND
Andy Warhol, velho conhecido da cultura de massa, foi o mentor intelectual do primeiro fragmento punk surgido das cinzas: o Velvet Underground. “Warhol era um bom catalisador. No que quer que trabalhasse, ele pegava e fazia realmente bem”, relatou o co-fundador da banda e multiinstrumentista John Cale. Entretanto, não era apenas a mente do pintor que servia como engrenagem para evolução do movimento. Por mais que tivesse poder econômico para seguir adiante com o projeto, talentosos como Lou Reed e o próprio John Cale foram primordiais para a estrutura sonora da banda e do movimento. Só para citar algumas composições que denotam a preciosidade do álbum: “Heroin”, escrita em 1965, fala sobre a alucinação da droga-tema da canção; “I´m Waiting For The Man”, ganhou ares de prostituição homossexual principalmente por estar nos vocais de Reed; e “Venus In Furs”, que remete ao sadomasoquismo e à ressaca pós-hippie.

Foi um fracasso de vendas. Tamanho experimentalismo não teve a compreensão dos ouvintes da época. Iggy Pop, fortemente influenciado por todo o trabalho dos Velvets, anteriormente chegou a vociferar: “Como é que alguém pode fazer um álbum com um som de merda desses? Isso é nojento!”. The Velvet Underground & Nico saiu em 1967 e foi resultado da duplicidade de conflitos internos da banda e da análise urbano-social da época. Cale e Reed eram as cabeças pensantes da banda e seus egos não se batiam. Enquanto Lou Reed escrevia sobre as temáticas das canções, os arranjos artísticos e sonoros ficavam por conta de John Cale, antes um esforçado violonista que ensaiava pelo menos seis horas diárias, segundo o relato do vanguardista pop La Monte Young.

Warhol, em uma de suas imposições, queria que Nico fizesse parte de qualquer jeito do Velvet. Os integrantes aceitaram por conta do sucesso que poderiam atingir tendo como empresário o pai da Cultura Pop mas, de certa forma, não deixavam de excluí-la – por isso a separação The Velvet Underground & Nico.

Como muitas das grandes obras artísticas, o reconhecimento da profundidade do álbum veio somente com a posteridade. Suas canções são profundas no que dizem respeito às letras, relatando uma civilização americana suja, longe dos ideais otimistas dos hippies. São temáticas realistas que expõem o comportamento controverso que começava a surgir no final da década – uma vez que nem todos se enquadram à maioria. Pode-se dizer que The Velvet Underground & Nico é o esboço perfeito do punk porque foi o primeiro trabalho a renegar de uma vez por todas a positividade contagiante que reinou na década de 60.

O estilo Lou Reed de tocar viria a influenciar guitarristas como Johnny Ramone (Ramones), Johnny Thunders (New York Dolls) e Mick Jones (The Clash). Os solos crus, o jeito aparentemente simples e rápido de tocar são grandes emblemas da sonoridade punk, iniciada por Reed.

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