O texto erótico muitas vezes leva à masturbação, e isso era motivo suficiente para tornar controverso o romance de (D. H.) Lawrence (autor de "O amante de lady Chatterley"). Mas havia mais: por meio da personagem do guarda-caça, ele explora a sensibilidade e o distanciamento psicológico que é comum o homem sentir em relação a seu órgão genital; de fato, o pênis parece ter vontade própria, um ego maior que seu tamanho e é frequentemente constrangedor por causa de suas necessidades, seus fascínios e sua natureza imprevisível. O homem sente, às vezes, que o pênis o controla, leva-o para o mau caminho, faz que implore favores à noite cujos nomes prefere esquecer na manhã seguinte. Seja insaciável ou inseguro, o pênis exige provas constantes de sua potência, introduzindo em sua vida complicações indesejadas e repetidas rejeições. Sensível, mas capaz de recuperação rápida, igualmente disponível dia e noite com um mínimo de persuasão, ele tem se desempenhado com decisão, embora nem sempre com habilidade, por uma eternidade de séculos, sempre procurando, sentindo, expandindo-se, explorando, penetrando, pulsando, murchando e querendo mais. Sem jamais esconder seu interesse lascivo, é o orgão mais honesto do homem.
É também um símbolo da imperfeição masculina. É desequilibrado, assimétrico, pendente, frequentemente feio. Mostrá-lo em público é "exposição indecente". É muito vulnerável, mesmo quando feito de pedra: os museus estão cheios de figuras hercúleas com pênis lascados, cortados ou completamente decepados. Os únicos que sobrevivem sem danos parecem ser aqueles desproporcionalmente pequenos, criados por artistas que talvez não quisessem intimidar os órgãos menores que o normal de seus patronos. Na arte religiosa, o pênis é muitas vezes representado como uma serpente, esmagada pelos pés da Virgem Maria; desde o século XI, os padres, aderindo ao voto de celibato, têm resistido a sua tentação cobiçosa. A masturbação sempre foi considerada pecaminosa pela Igreja, e há muito tempo recomenda-se um chuveiro frio para os paroquianos solteiros como uma maneira de afogar as primeiras ebulições da ascensão da paixão.
Apesar de a força moral da tradição judaico-cristã e da justiça ter procurado purificar o pênis e restringir sua semente à instituição santificada do matrimônio, ele não é por natureza um órgão monógamo. Desconhece códigos morais, foi projetado pela natureza para o esbanjamento, adora a variedade, e nada, exceto a castração, eliminará seu pendor para a prostituição, a fornicação, o adultério ou a pornografia.
A pornografia atrai especialmente o pênis dos homens que não têm meios para pagar prostitutas ou sustentar amantes, ou que são feios ou tímidos demais para conquistar mulheres, ou ainda que estão temporariamente isolados delas (em prisões e hospitais, por exemplo), ou que desejam continuar fiéis ao casamento em todos os aspectos, exceto quando se entregam a uma fantasia orgástica com uma revista, ou quando, durante a relação sexual matrimonial, imaginam que sua esposa é outra mulher. Isso se chama "superimposição". É a forma mais comum e privada de infidelidade no mundo e sua estimulação não depende da pornografia.
Todos os dias, o pênis é vítima de visões sexuais na rua, nas lojas, nos escritórios, nos outdoors e nos comerciais da televisão; é o olhar malicioso de uma modelo que aperta a pasta de dentes, os mamilos que se imprimem na blusa de seda da recepcionista da agência de viagem, o bando de nádegas jovens em jeans apertados que sobe pela escada rolante da loja, o perfume que emana do balcão de cosméticos: almíscar feito a partir dos genitais de um animal para excitar outro.
A cidade oferece uma dança tribal de fertilidade em versão moderna, um safári sexual, e muitos homens sentem-se pressionados a provar amiúde seu instinto caçador. O pênis, muitas vezes visto como uma arma, é também um fardo, a maldição masculina. Faz de alguns homens incansáveis libertinos, voyeurs, exibicionistas, estupradores. É o que os convoca para a guerra militar e os envia, em numerosos casos, para a morte prematura. Suas seduções insanas podem levar à discórdia matrimonial, ao divórcio, à separação dos filhos, à pensão. Seu desregramento em altos escalões provoca escândalos políticos e derruba governos. Sentindo-se infelizes, alguns homens decidem livrar-se deles.
Continuo a trajetória sobre os chineses no Brasil, que já foi abordado aqui.
A imigração dos chineses é antiga; ao contrário do que muitos pensam, ela começou no século XIX e foi estimulada pelos colonizadores portugueses para substituir mão-de-obra escrava.Desde que chegaram por aqui, os chineses já eram alvo de preconceito. Pelos portugueses, que aportaram na China na infindável trajetória em busca das Índias; e pelos intelectuais brasileiros posteriormente, que acreditavam que os chins eram incapazes de ajudar o Brasil a se desenvolver. Geralmente, associavam os orientais ao escravismo e à submissão voluntária, algo que os lusitanos tinham observado quando fizeram uma pausa na China. Por isso os portugueses tentavam, mais e mais, trazer mais chineses para o Brasil, como tentativa de esforços para provar à Inglaterra que estava combatendo a exploração com os negros, algo que o país europeu vivia pressionando.
De primeira, fizeram os preparos para trazer cerca de 3.000 chineses na metade do século XIX. Só vieram cerca de 300 para trabalhar na antiga capital do Rio de Janeiro, próximo ao Jardim Botânico.
Mas eles não vieram substituir os negros. Para contornar a pressão da Inglaterra, os colonos pagavam salários baixíssimos aos orientais, que eram obrigados a assinar um contrato que exigia a permanência de pelo menos 5 anos trabalhando no Brasil.
Não demorou muito para que surgissem os primeiros subversivos. Alguns chineses conseguiram escapar de seus 'patrões' e começaram a se estabelecer na cidade, vendendo iguarias de seu país de origem. Foi mais ou menos por essa época que eles começaram a vender pastéis e plantar chá chinês.
Mas o estigma agourento de submisso continuou perseguindo os chineses no Brasil. Dificilmente conseguiam se adentrar em grandes cargos, mas conseguiram espaço em alguns serviços públicos, como secretariado.
A vinda dos imigrantes chineses ao Brasil é um reflexo da política da China. Antes de Mao Tsé-Tung chegar ao poder em 1949, ela sempre fora imperialista e restritiva; sustentava uma política exploratória nos campos e vigilantes nas poucas metrópoles que foram se firmando.
Não que tenha mudado muita coisa com a ascensão de Mao; ele fechou as portas da China para o diálogo internacional, tomou controle de toda sua população à sua maneira e criou um nacionalismo pernicioso que prejudicava vorazmente as minorias.
Nesse tempo, a diáspora chinesa foi diminuindo, porque Mao dificultava a saída de chineses para outras terras. Principalmente depois da Revolução Cultural, de 1966, que dizimou acadêmicos e colocava em prática a ideia de duplipensar que George Orwell teorizou no romance "1984". Ou seja, quem ousasse sair do país nesse tempo, dava brechas para o governo chinês pensar que algum ato de submissão estava sendo cometido. Isso apavorou muitos chineses.
O ano de 1978 é mais que histórico para os chineses. Além de ser o ano em que Deng Xiaoping anunciou a abertura econômica do gigante asiático, mantendo a mesma política socialista herdada de Mao, foi o ano em que a mudança social começou a fazer a diferença. A partir dessa época, muitos chineses também começaram a procurar melhores lugares para morar, para garantir uma vida financeira mais estável . E a diáspora se reiniciou.
Cerca de 35 milhões de chineses vivem fora do seu país de origem. No Brasil, vivem cerca de 200.000, fora os filhos dos imigrantes que nascem aqui. 90% desses imigrantes moram em São Paulo. Na Rua 25 de Março, que é o centro de pesquisa para uma grande reportagem (que será realizada por mim e + 3 colegas), trabalham cerca de 20.000 chineses. A maioria se concentra nos shoppings e galerias da região.
A dificuldade da língua é uma problemática. Eles aprendem o português geralmente no convívio com o brasileiro. Na 25, eles geralmente vendem roupas, artigos, acessórios de beleza, bolsas, relógios, etc. Vendem de tudo.
Mas, ainda hoje, persiste um preconceito muito grande com os chineses. Só que agora os papeis se inverteram. Se antes eles eram tidos como subversivos, hoje são mais taxados de exploradores, já que eles gerenciam boa parte do comércio na região da 25. Não se vê chinês trabalhando para brasileiro - muito pelo contrário. Quem fica atrás do balcão é o oriental. E de funcionário, não é só brasileiro; é fácil circular e ver bastante paraguaio e boliviano.
Essa inversão acabou criando um microcosmo na região. Chineses andam pra lá e pra cá pela 25 falando em mandarim, conversando com outros conterrâneos e se adaptando à realidade brasileira no ramo do comércio. É como se eles criassem uma mini-China na região central de São Paulo. Pelo menos, aparentemente.
Mas na prática não é assim. Não mesmo. Em outro post explicarei o porquê.
Orientados por Sung, caminhamos no centro da cidade e conversamos com alguns chineses, que nos receberam muito bem. Ao contrário da 25 de Março (cenário de nossa pesquisa acadêmica), que tem cubículos extremamente desorganizados devido a intensa movimentação, os lojistas de Campinas são orientados a adaptarem-se aos padrões comerciais brasileiros. Quem cuida disso é a Aliança Brasil-China de Campinas, da qual Sung é presidente. Eles auxiliam os imigrantes chineses a manterem um ambiente mais agradável em suas lojas, o que lhes assegura uma renda maior em seus negócios. "Nós aconselhamos a eles não deixarem objetos nas calçadas, o que obstrui a passagem dos consumidores, a organizarem melhor o espaço e não lotar de mercadorias", diz Sung.
Roberto, chinês dono de uma loja de variedades na região, veio para o Brasil há cerca de 20 anos atrás, com sua mulher. Ele trabalha com os filhos na loja. Quando fomos apresentados a ele pelo dr. Sung como universitários, de cara Roberto disparou, com um português bem dificultoso: "Vocês estudam em universidade pública?". Respondemos negativamente, no que ele rebateu: "Meu filho passou em muita universidade pública: Unesp, né... Ufscar... mas a Unicamp e a USP não".
Adoraria ter conversado mais tempo com Roberto, mas não foi possível no momento. A partir daí, pude entender que a nova geração de chineses que permanecem no Brasil não é mais estimulada pelo comércio. Roberto não soube definir a carreira que o filho quer trilhar. "Acho que... Administração", arriscou, sempre encerrando a frase com um sorriso cordato.
O prof. Sung Tien-Lo explicou que os chineses, quando vêm para o Brasil, formam laços de amizades similares aos brasileiros. "Vocês não ficam contentes quando vêm uma pessoa que morou na mesma região que você? É a mesma coisa". Isso facilita a permanência e a confiança destes imigrantes. Eles se instalam em pequenos cubículos, recebem apoio de antigos moradores chineses e 'se viram' para conquistar seu espaço comercial e garantir uma renda estável no país estrangeiro.
"O comércio é o porto seguro [do imigrante chinês no Brasil]". Quem afirma essas palavras é Chang, 50, que fala o português tão bem quanto qualquer outro brasileiro. Ele se mudou para o país quando tinha pouco mais de cinco anos e montou uma loja própria recentemente, há um ano atrás. Antes disso, sua família já foi dona de bares, restaurantes e diversos estabelecimentos, mas sempre com a premissa do comércio. Essa sina do imigrante chinês é devidamente explicada pelo dr. Sung: "O chinês trabalha no comércio porque não exige que se fale o português". Basta ter o produto para vender, estabelecer um preço e realizar a venda.
Muitos comerciantes chineses têm extrema dificuldade para se comunicarem. A língua portuguesa é um grande entrave para os imigrantes. Tanto é que, quando estão em família (algo comum entre os chineses, devido aos valores tradicionalistas que estão intrínsecos à moral predominante do país de origem), eles conversam em mandarim.
Entender a situação dos chineses no Brasil é complicado, pois a China vive um momento de transição e, aparentemente, isso não reflete nos chineses que estão por aqui. O gigante asiático abriu as portas ao mundo do capitalismo, com Deng Xiaoping em 1978, e está em ritmo acelerado de crescimento -- cerca de 10% do PIB ao ano, nessa última década.
Se antes os chineses repudiavam o consumo por manterem uma tradição da ética de Confúcio, o Jesus Cristo da China, hoje em dia os jovens chineses de lá já associam essa visão a um "pensamento arcaico", conforme constatado no Especial da China da Revista Veja (sei que ela não tem essa credibilidade, mas o conteúdo ficou bom, sim). E grande parte dos imigrantes chineses que vivem em São Paulo vieram pra cá há cerca de, pelo menos, 20 anos. E ainda mantêm as tradições de seu país de origem.
O que reforça ainda mais esse apego à tradição chinesa é o fato de serem imigrantes. Eles tentam fazer prevalecer a identidade cultural para se fazerem existir no Brasil, que muitas vezes o vê com preconceito. Roberto, que já voltou à China algumas vezes depois que se mudou para o Brasil é um exemplo. "Aqui as pessoas te vê diferente" "Mas, Roberto, a China também mudou bastante, não foi?", nós perguntamos. "Ah, mas não muda, é tudo igual. Você olha pra todo lado e vê todo mundo com a mesma cara, tudo igual. Aqui é todo mundo diferente da gente".
Portanto, engana-se quem afirma que aparência não quer dizer nada; ela é a válvula de escape, nesse caso, para os chineses. Saber que tem pessoas iguais vivenciando com eles a diferente realidade que é o Brasil da cultura chinesa, é uma forma de segurança. Muito mais que segurança, é um sentido de existência.
E é aí que pesa o argumento deferido pelo nosso presidente Lula, quando pediu ao delegado da operação que tomasse cuidado com a 'biografia' dos envolvidos. Na verdade, a Polícia Federal nem precisou meticular as brechas; o próprio clã tratou de impedir que a biografia viesse à tona.
Este ato é uma clara supressão à liberdade de imprensa. Por mais que se possa criticar o conteúdo dos jornais, que cada vez mais se distanciam do interesse público, impedir a publicação de reportagens de qualquer espécie é uma tentativa deturpada de violar a Constituição.
O pior é que acontece justamente com aquele presidente que supostamente esteve no trânsito da ditadura à democracia.
Uma ressalva: José Sarney sempre foi simpatizante às ideias coronelistas. Isso porque ele comanda o Maranhão há mais de três décadas e teve o faro de fuçar ali, conquistar aliados acolá e comandar um veículo de comunicação hegemônico em sua terra natal. Nem é preciso analisar muito a fundo para perceber o descaso que Sarney tratou seu estado, colocando-o como um dos países mais pobres do país, com um índice de 56,4% de pobreza.
A política contemporânea é baseada na conquista de aliados. Tomando essa prerrogativa, não é errôneo dizer que Sarney é um 'bom político'; é da mesma estirpe de Antônio Carlos Magalhães, Arthur Costa e Silva, Severino Cavalcanti...
Tudo se baseia em aliados. Foi essa a arapuca fatal que pegou Lula em cheio. Ao defender o caudilho camuflado como uma 'pessoa que não pode ser tratada como um sujeito comum', Lula jogou a população que o apoiou às traças e abraçou o jogo sujo da política malévola. Tudo isso por quê? Porque quer garantir aliados para a campanha presidencial de sua candidata em 2010, Dilma Rousseff. Trafegando sobre o leite derramado, Lula está capotando feio. Capotando porque está investindo em uma política de compadres arcaica e coronelista para viabilizar a vitória do PT nas próximas eleições presidenciais.
E afasta cada vez mais os cidadãos de sua cordialidade política. Cidadãos que apostaram as últimas fichas em um líder carismático que aparentava percorrer uma trajetória possível ao crescimento do País, apesar de suas adversidades intelectuais. Na verdade, Lula ainda o é à imagem e semelhança que os brasileiros construíram.
Entretanto, caminha em campo minado ao optar por aliar-se às onças silvestres para garantir apoio político do hegemônico PMDB (ou, o partido mais apolítico do momento). Se o presidente continuar seguindo os passos estrondosos de José Sarney, pode comprometer aquilo que tanto presa: a sua própria biografia.
Vide os jornais diários e veja do que são capazes e que poder têm o clã e os seguidores da família Sarney. Barrar um dos maiores jornais do país não deixa de ser um exemplo estrondoso. Triste, mas estrondoso.
Através da página de Luís Nassif, li o relato de um pai de uma criança autista que reclama a falta de divulgação e de atenção da mídia para o problema do autismo, que é alvo de preconceitos por ser estigmatizado como uma doença.Na verdade, o autismo é um comportamento individualista influenciado por uma deficiência que se manifesta geralmente na infância.
Eu, junto com um grupo de colegas da faculdade (+ @CleberArruda [o cara!], @VitorDavied, Luize Altenhofen, Renato Lavdovsky, Ronaldo Sanaie e @Alvaro_Saraiva_), desenvolvi um trabalho com os autistas, através de uma ideia de reportagem multimídia.
O trabalho completo, que tem rendido bons frutos, está postado no blog Intelectuautismo.
Sei que o autismo merece muito mais profundidade, já que é ignorado por uma fatia grotesca da imprensa brasileira. Para contornar essa escassez de conteúdo, o blog revela muitas informações sobre a deficiência, mostra o tratamento de pais, educadores e psicólogos com as crianças autistas, além de apresentar a musicoterapia, uma forma de entender os sentidos e os movimentos das crianças.
Para mais informações, recomendo que visitem o site do AMA (Associação de Amigos do Autista).
O que muda (ou pode mudar) com a derrocada do diploma de jornalismo
Como um formando em jornalismo, tenho que me pronunciar sobre a derrocada do diploma para exercício da profissão. Por uma lavada de 8 a 1, permaneceram os votos a favor da queda da exigência, em votação no Supremo Tribunal Federal (leia aqui a respeito).Diferente da maioria dos meus 'colegas universitários', sempre fui a favor da queda por motivos que apontarei. Entretanto, para que a prática dessas hipóteses tenham sucesso, é necessário que os novos formandos enxerguem a formação de jornalismo como algo imprescindível para o exercício da profissão.
A queda do diploma não significará que qualquer pelego que meta a fuça no ofício seja capaz de substituir um profissional formado. Pelo contrário - a partir daí os meios de comunicação, que querem manter (ou superar) o nível de qualidade de sua publicação, continuarão exigindo do subalterno uma competência que assegure a credibilidade do jornal/revista/portal/TV/rádio em questão.
Uma outra possível boa notícia é que, com a derrocada do diploma, os profissionais exigirão mais de si próprios. Aquele velho dilema de que ninguém é insubstituível toma peso maior desta vez. Não se vê tantas palestras, cursos e congressos analisando o declínio vigente do jornalismo? Cada vez mais não se exige um preparo maior, menos tempo para preparação das matérias, principalmente com o surgimento da internet e os novos meios de comunicação?
Para manter o ofício, o velho arroz com feijão poderá dar lugar a um esforço mais profícuo, o que, consequentemente, renderá melhores reportagens, mais atenção com os sucessivos erros que infelizmente vemos aos milhões na imprensa em geral.
PAPEL DO UNIVERSITÁRIO
Pessoalmente, como aluno de jornalismo, sempre associei esta profissão à arrogância, ao pseudo-intelectualismo e à ganância de querer estar sempre no ápice. O fato de saber o que acontece no mundo não te torna uma ferramenta mecânica poderosa para subjugar aquele que não tem acesso à informação. Além do mais, muitos destes elevam à máxima o discurso de que informação é poder. Agora, que raios de poder é esse que se mantém nas dependências de meia dúzia de engravatados? Virou fantoche?
Sob este ângulo, deve-se analisar que o preconceito com o profissional não formado dentro de uma redação pode ser uma realidade. Não sou a favor do despreparo do formador de opinião para formar opinião. Muito pelo contrário: apenas vejo que muitos jornalistas, com diploma em mãos (e olha que de boas universidades hein!), também não têm preparo para falar de economia, agronegócios, ciência e demais assuntos que exigem uma formação específica.
O erro que pode ser cometido pela grande imprensa é crer que profissionais especializados podem substituir a função de jornalistas. Aqui vale reiterar que: o papel daquele que redige para seu público é tornar acessível a informação captada através dos especialistas e da opinião pública, contextualizar a informação e facilitar sua linguagem para que o leitor daquelas linhas (ou espectador daquela mensagem) sinta-se interessado em participar dos debates acerca do assunto. Informação não é poder?
Como estudante, sei que o mercado é bem elitizado: há uma reserva de mercado concentradíssima. Aquele velho lenga-lenga do Q.I. (Quem Indica) é tão corriqueiro no âmbito jornalístico, que algumas empresas que delegam a função do assessor de imprensa devem estar com o sorriso de orelha a orelha com a derrocada.
Por um jornalismo de qualidade, levando em conta a conscientização daqueles que exercem a profissão e contratam, é uma boa notícia. Qualquer um pode fazer uso das técnicas de redação para compor material. O que pode pesar agora é a qualidade. As vantagens da não exigência são inúmeras - basta confiar no seu taco e refletir sobre o seu trabalho, objetivando melhorar sempre, que seu lugar ao sol estará garantido.
Com isso, o tal jornalista preguiçoso - termo para definir aquele que entrega a matéria para cumprir agenda - pode se esvair. E é aí que entra o profissional competente (diplomado ou não) e mostra que um caminho para a melhora do conteúdo jornalístico que se vê por aí pode ser possível.
E A UNIVERSIDADE, COMO FICA?
Aqui é que o termo qualidade deve se superar. Ao contrário de pregar o descontentamento geral com o mercado de trabalho, deve trazer uma formação geral e específica mais aplicada, para que o estudante que sair de lá esteja atento às novas especificidades que surgem no jornalismo.
Ao invés de uma formação mais técnica - uma realidade intrínseca às instituições que se embelezam de equipamentos tecnológicos e formam um ser humano vazio de conteúdo teórico -, o envolvimento maior com as complexidades do mundo deverá ser priorizado, o que inclui: formar um estudante crítico, que saiba dissociar o joio do trigo e seja capaz de argumentar sobre a realidade vivenciada; elevar o esforço do estudante para se interessar em disciplinas humanas, como Filosofia, História, Geografia, Política, etc; e, principalmente, tirá-lo da preguiça, da passividade de trazer trabalhos pífios, como entrevistar o vizinho para falar sobre política nacional. Noutras palavras, fazê-lo correr atrás do seu, tirando a bunda da cadeira para que não seja substituído por um outro diplomado - ou não.
A universidade deve propagar e intensificar os debates acerca do jornalismo, trazendo uma discussão mais madura que ultrapasse os limites da demagogia e do senso comum.
Se nenhuma destas mudanças citadas forem levadas à prática, aqui dou o veredicto: estudantes, não se preocupem, vocês não serão substituídos por um profissional não diplomado. Quem irá investir em quem não tem conhecimento sobre o ofício?
Essa é uma realidade que espero que mude. Um jornalismo de qualidade ainda pode contemplar o debate e despertar o interesse público em agarrar-se à informação.
A derrocada do diploma é o começo desta mudança. Agora, o que virá daqui pra frente, ainda é obscuro.
Na terceira edição do programa:
- Metallica no Brasil;
- Entrevista com Eliane Brum sobre seu último livro lançado, "O Olho da Rua", por Tiago Ferreira da Silva;
- Fotografia de Casamento (JR Studios), por Renato "Jahpa" Lavdovsky, o Repórter em Ação;
- Estrutura para a Copa de 2014, na análise de Roberto Benevides, entrevistado por Vitor Davied;
- O impacto da implantação da Zona Azul nos arredores do Itaim Bibi (zona sul de São Paulo), por Ronaldo Sanaie;
- Rumores de internautas sobre o bug do Twitter.
Apresentado por: Luize Altenhofen e Vitor Davied.
Clique aqui e ouça as duas edições anteriores do Segunda Mão.
ENTREVISTA - ELIANE BRUM
(Créditos da Imagem: Adriano Valenga Carneiro)
Utopias e tentativas esforçadas de estarem atentos à realidade são características comuns dos estudantes de jornalismo da atualidade - pelo menos, assim deveria ser até o momento da obtenção do diploma. Entretanto, é praticamente impossível manter o sentimento de “querer mudar o mundo” com o passar dos quatro anos de faculdade, pois alguns dos professores, por exigências acadêmicas, não cessam de preparar os alunos para as tendências mercadológicas. Essa visão praticamente inexiste aos olhos da jornalista Eliane Brum; toda essa obscuridade do mercado de trabalho e a desilusão do lema revolucionário se dissipam e dão lugar a uma paixão contagiante que remonta aos ingênuos (não inapropriados) períodos de vestibular. “Tenho a convicção de que jornalismo é a melhor profissão do mundo. Pelo menos pra mim, é”. Quanto ao sistema de ensino, a jornalista não lesa termos: “Ouço relatos assustadores de alguns professores que parecem ter desistido. São pessoas muito amargas, que deveriam mudar de profissão, fazer algo que amassem, não disseminar seu descrédito nos estudantes que estão formando. Mas também conheci professores sensacionais, que mudam a vida de seus alunos".
Eliane Brum é o perfeito símbolo de otimismo para uma nova geração de jornalistas. Tamanha afirmação não teria sentido algum se não se associasse sua forma delicada de tratar as pessoas com o resultado de uma trajetória profissional de duas décadas até então bem sucedida. Ao invés de investir na grandiloquência do ‘ato da fala’ (algo que de certa forma espera-se de um jornalista), prefere centrar sua atenção à escuta dos discursos alheios para melhor espelhar a realidade que presencia. “O silêncio das pessoas conta muito sobre elas”, diagnostica.
Ao meio dia, em uma sala da Revista Época, publicação para a qual trabalha, vislumbramos uma paisagem típica industrial, em contraponto às extensas viagens da repórter pelos vários Brasis que contemplam desde o Rio Grande do Sul, estado onde nasceu, até as mediações de Roraima e Amapá. Sua feição diante deste cenário não é das mais satisfatórias, salientando a afirmação que fez na sua mais recente publicação literária, O Olho da Rua (Editora Globo, 2008), sobre o tédio que sente por manter-se sob a artificialidade dos ares condicionados da redação.
Cumprimentando Eliane, tem-se a ideia de estar diante de uma profissional tímida, mas amplamente segura de seus métodos. Aos 43, preserva o notório sotaque gaúcho e não teme crítica dos ‘colegas de trabalho’ que alegam excesso de subjetividades em seus textos. “Eu dou todas as informações que o dito jornalismo objetivo dá, só que dou elas e muito mais”, regozija-se. Em menos de cinco minutos, é possível memorizar todas as gesticulações da jornalista, que dificilmente abandonam a companhia de suas respostas. Ela se estende ao divã do descompromisso ao relatar sua jornada e suas idiossincrasias irrefutáveis contra a preguiça cada vez mais constante no ambiente jornalístico. Para Eliane, não importa onde estiver “a realidade continua no mesmo lugar: na rua”
Pauta da entrevista concedida, O Olho da Rua, mais que uma simples coletânea de reportagens produzidas por Eliane Brum na Época, traz relatos de seus erros, acertos e indagações acerca das 10 matérias que foram mantidas na íntegra. Ganhadora de mais de 40 premiações de reportagens, além deste trabalho, Eliane já publicou os livros Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios, 2004) e A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, 2006).
Abaixo, segue a entrevista na íntegra com a repórter:
Tiago Ferreira da Silva: O interessante que você fez foi trazer um making of de cada reportagem– talvez isso seja o ponto principal de seu livro, comentar os erros e acertos cometidos. Cada ponderação que você colocou nas reportagens, reforça o peso jornalístico delas? Por exemplo, em “A Casa de Velhos” você publicou a reportagem e, consequentemente, seu making of. O fato do jornalista se mostrar mais presente (de todas as formas possíveis) no seu respectivo trabalho reforça o peso do conteúdo da matéria?Eliane Brum: Não sei, acho que são coisas diferentes. No princípio a ideia era fazer uma coletânea; mas eu não queria só juntar minhas matérias. A primeira coisa que fiz foi trabalhar e recuperar o texto original de cada reportagem, porque normalmente eu escrevo o dobro do que cabe no espaço. Mas eu sempre guardo. Essas dez reportagens no livro estão na íntegra e eu achei que deveria dar algo a mais pro leitor e que me trouxesse mais, me fizesse avançar. Então, decidi fazer uma grande reflexão sobre meu trabalho, porque inclusive no ano passado completei vinte anos de reportagem. Nelas, eu faço um making of, mas de forma diferente, porque tentei absolutamente ser sincera – achei que só valeria a pena pra mim e pro leitor se eu tivesse a coragem de me expor e mostrar aquilo que também era revelador pra mim: os erros que eu cometi, os impasses, o dilema. É um incentivo de aproximar, de fazer essa grande reflexão sobre o meu trabalho e também é uma grande reflexão sobre a vida, porque é importante pro leitor - e não só o estudante de jornalismo ou o jornalista, mas para qualquer pessoa - entrar em contato com a atividade do jornalista. Pra mim foi muito importante, e espero que para as pessoas também seja.
TFS: Como você lida com as fontes?
EB: Sempre sou muito clara. Me apresento para as pessoas com muito respeito e falo muito claramente aquilo que vou buscar. Acho que as pessoas sentem isso. E aí eu acho que a coisa mais importante é a escuta; os jornalistas, em algum momento do livro eu escrevo isso, eles devem ser mais que bons perguntadores - tem que ser grandes escutadores. Escutar é mais que ouvir. Significa que tu não vai interromper a pessoa quando ela está falando porque ela não está dizendo o que tu quer; ou porque tu supõe que tu já entendeu o que ela está dizendo; ou simplesmente porque não é capaz de escutar até o fim. Acho que esse é um vício que muitos jornalistas têm e é péssimo. E escutar é: quando a pessoa para de falar, ela não está parando de dizer. O silêncio das pessoas conta muito sobre elas, dá informações sobre elas. Quando ela gagueja, [tentar supor] qual é a palavra que ela gaguejou conta sobre ela. Quando ela interrompe alguma coisa subitamente, [escutar] quais são as palavras que ela usa, tudo isso está nos contando sobre ela. Então, essa escuta é muito importante. E eu procuro escutar as pessoas com muito respeito, atenção e delicadeza.
TFS: Na última matéria, você acompanhou a trajetória de uma senhora que descobriu que estava pra morrer até o caminho da sua morte. Como foi fazer essa matéria?
EB: Foi muito difícil, e muito transformadora. Foi uma das matérias mais duras na minha vida e eu ainda estou elaborando aqui o que ela me trouxe. Eu acompanhei uma mulher chamada Ailce de Oliveira Souza, uma merendeira de escola, nos últimos tempos de vida. Ela tinha câncer, sem possibilidade de cura em um lugar inoperado, e a gente se via uma vez por semana pessoalmente. Eu ia na casa dela e todos os dias eu ligava mais ou menos no início da tarde. Depois que ela morreu, fiquei por muito tempo com o gesto de pegar o telefone pra ligar, e isso é uma coisa que marcou a minha vida por muito tempo. E no caso da Ailce, foi a escuta mais delicada que fiz como repórter. Nunca cheguei perguntando pra ela sobre o câncer, sobre a morte, porque senão eu não saberia como ela lidaria com isso. Por exemplo, a Ailce morreu sem jamais ter pronunciado a palavra câncer. Se eu tivesse chegado e perguntado: ‘e aí, como é que tu vive com câncer?’, nunca saberia disso. É uma questão crucial entender o processo dela, além de toda a dor. Eu esperei sempre que ela falasse sobre a morte, para ver quais eram as palavras que ela usava para descrevê-la - senão acabamos com a narrativa e com a possibilidade de chegar mais pertos das verdades de uma matéria ou de uma pessoa. Sendo assim, ela acaba contando sua história a partir das nossas expectativas e não dos desejos dela. Talvez ela [Ailce] tivesse começado a falar em câncer, mas câncer não é uma palavra dela. E o fato dela silenciar sobre a palavra, sobre a doença… (interrompe para se corrigir). Tive que escutar quais eram as palavras que ela usava para entender a Ailce. Então, a escuta no caso dela foi de fundamental importância, eu praticamente só pontuava o que ela ia falando. Deixava ela conduzir essa narrativa do fim da vida dela.
TFS: Outra coisa também que é fácil perceber bastante não só no seu livro, mas nas suas reportagens em geral, é que você utiliza uma linguagem muito singular para descrever a situação de cada fonte que compõe sua matéria. Como você conquistou esse espaço? Como você conseguiu o espaço de utilizar uma linguagem tão autoral para descrever as verdades que presencia?
EB: Esse espaço foi conquistado, e essa é uma construção que a gente faz ao longo da nossa vida de repórter. Quando comecei, que é super simbólico, eu fiz uma matéria para um professor que mudou minha vida, que chama Marques Leonam. Já estava desistindo do jornalismo. E ele me fez com que me apaixonasse pelo jornalismo, pela reportagem. Eu fiz uma matéria pra ele numa cadeira de estágio chamada “As Filas da Existência”, um relato de todas as filas que a gente entrava desde que nascia até morrer, tema pouco habitual para a imprensa. No último semestre de faculdade, uma amiga minha inscreveu essa matéria e a Comissão Julgadora chamou a gente para discutir as matérias escritas. Quando fui chamada, a comissão era formada por publicitários e jornalistas. Os jornalistas diziam que o que eu fazia não era jornalismo. E os publicitários diziam que era. Como tinha mais publicitários que jornalistas, pra minha sorte, eu ganhei (risos!). E o prêmio era um estágio no [jornal gaúcho] Zero Hora, onde fiquei por onze anos. Foi assim que comecei, e já comecei ouvindo dos próprios jornalistas que o que eu fazia não era jornalismo. Quando tu entra numa redação, não em todas, mas em muitas, principalmente em jornalismo diário, eles precisam que tu carregue o piano, que tu faça as coisas da forma mais rápida que puder. Só mais tarde vocÊ vai conquistando teu espaço e fazer matérias especiais. Conquistei meu espaço brigando para escrever o que queria, mas trazendo boas histórias da rua. Teu chefe não vai te dar espaço, nem deixar tu escrever porque ele é legal ou porque tu é bacana. Ele vai te dar espaço se tu trouxer material de qualidade, justificar o tempo e o espaço. Então, comecei a entregar matérias que faziam diferença, contadas de um jeito diferente, matérias do dia mesmo. Fugia daquele jeito tradicional, e os leitores começaram a gostar. Comecei, devagarinho, a conquistar o meu espaço. Porque tu vai ouvindo pessoas na tua vida, vai ouvindo na tua faculdade que tu deve fazer aquela coisa tradicional, que é mais fácil fazer, e é mais empobrecedora pro jornalismo. Isso qualquer um faz. Tem que descobrir aquilo que tu pode fazer de melhor, é isso que vai te dar espaço, vai te dar lugar. Tanto que, quando eu vim pra Época, em 2000, fui convidada exatamente pela forma como eu conto as minhas histórias. É o que faço de melhor. Cada um tem o seu jeito, tem que descobrir o teu e focar nisso.
TFS: Você utiliza muito a subjetividade para compor suas reportagens. Você acredita que esse é um caminho possível? Por exemplo, o leitor vai ter uma identificação maior com a subjetividade, ao contrário da objetividade do jornalismo que a gente vê?
EB: A realidade é complexa e nossa função como repórter é dar pro leitor a realidade dos lugares onde ele não pode ir, as situações onde ele não pode estar, as pessoas que ele não conhece. A gente tem que trazer pra ele toda a complexidade dessa realidade, desses acontecimentos para que, tendo todas essas informações, eles possam tomar suas decisões - e não as nossas. Com isso, entendo que o mundo é feito de coisas objetivas e subjetivas. É sempre um desafio… Eu dou todas as informações que o dito jornalismo objetivo dá, só que dou muito mais. Porque a realidade é muito mais complexa do que fulano diz, do que sicrano retrucou, quando, onde… isso é óbvio! Só que tem que dizer mais do que isso. Eu considero que o cheiro, a textura, as cores, os gestos das pessoas, os silêncios, as nuances, os sons além das palavras são informações tão importantes quanto aquilo que é dito. Considero tudo isso informações que devemos apurar com muita precisão, porque no jornalismo nada se inventa. Dá muito mais trabalho, claro. Quando tenho tudo isso na mão, posso escrever um texto que traz a complexidade do real ao leitor. O maior elogio que fazem pra mim, que eu espero receber, é quando o cara lê minha matéria e diz: ‘parecia que eu estava lá’. Consegui!
TFS: Além do professor, que foi crucial para a sua formação de jornalista, qual foi sua referência, por exemplo, que livros você recomendaria para um jovem jornalista que pretende trilhar uma carreira, não parecida com a sua, mas um outro jornalismo possível que não o convencional?
EB: Eu sempre li bastante literatura. Desde que aprendi a ler, leio muito. Acho que a gente tem que ler de tudo, sou muito eclética. Hoje, essa leitura tem que ir desde literatura até os blogs. Porque o mundo é muito rico, está se reinventando, apareceram novas linguagens e a gente precisa saber o que está sendo produzido. Então, ler de tudo. E não só jornal e revista que precisa ler por obrigação, mas ler literatura, ler muito ensaio, muito blog. E, claro, acho que tem alguns livros que são fundamentais, como “O Segredo de Joe Gould”, de Joseph Mitchell, “Hiroshima”, do John Hersey, os livros do Gay Talese… eu gosto muito do new journalism americano - Truman Capote, é claro. Joel Silveira, [Ricardo] Kotscho, Caco Barcellos. Tem uma jornalista maravilhosa chamada Rosina Duarte, que tem uns livros em que escreve maravilhosamente bem… eu vou ficar com raiva depois porque eu vou esquecer alguns muito importantes… Tem um texto, o Livro das Vidas, que fala sobre as estórias do New York Times, acho que são obrigatórios. Esses são os que eu lembro agora. E literatura, que é fundamental…
Na reportagem, a gente tem que enxergar além do óbvio: essa é a nossa função. Às vezes me perguntam sobre os temas originais. Se for ver, “O Olho da Rua” não traz temas originais. É o jeito de olhar para os temas que faz a nossa diferença.
TFS: Tem planos de publicar outro livro?
EB: “O Olho da Rua” é meu terceiro livro. O segundo é “A Vida que Ninguém Vê”, que ganhou o Jabuti de 2007. É um livro que foi muito importante pra mim. Era a coluna que eu tinha no Zero Hora em 1999, que tinha o mesmo nome ‘A vida que ninguém vê’, onde eu só escrevia sobre pessoas comuns, sobre gente que não era notícia, uma espécie de ‘desacontecimentos’; e eu acho isso muito interessante porque é um livro que provoca a pensar sobre o que é notícia, quem é notícia e quem decide o que é notícia. Por que essas pessoas são notícias e outras não? Então, “A Vida que Ninguém Vê” é uma grande provocação a isso. E tem o meu primeiro livro, que está esgotado: “Coluna Prestes: o avesso da lenda”, que publiquei em 1994, em que refiz a marcha da Coluna Prestes. Eu ouvi 100 pessoas que estavam nos povoados e cidades por onde a coluna passou, que chamei de "O povo do caminho", porque não eram nem rebeldes, nem governistas. Eram a voz de quem estava no caminho.
TFS: O que acha da possível derrocada do diploma de jornalismo?
EB: Sinceramente, pensei bastante sobre isso, mas não tenho uma opinião definitiva, tipo: “Sim, deve derrubar” ou “não, não deve”. Não tenho certeza. O que tenho certeza é que, independentemente do diploma continuar existindo ou não, as faculdades de jornalismo precisam melhorar. E se a universidade melhorar, ela será importante não porque exige o diploma, mas porque faz a diferença, sabe? E pra universidade melhorar, tanto faz o diploma ou não, porque os caras vão querer contratar gente que seja melhor formada. Então se tu tem curso de jornalismo desta universidade, bom, prefiro esse cara. Porque sei que ele já vem com uma formação legal. Não penso a realidade particular de nenhuma porque não é o meu meio, não conheço. Acho que a universidade de jornalismo é o melhor lugar para se discutir questões éticas da profissão – e talvez isso seja o mais importante no curso de jornalismo. Eu tenho vinte anos [de profissão] e ainda hoje tenho muitas dúvidas em alguns momentos. Esse exercício precisa começar na faculdade. O jornalismo tem muitas especificidades. Fico muito triste quando ouço relatos assustadores sobre alguns professores que parecem ter desistido; pessoas muito amargas, que deveriam mudar de profissão, fazer algo que gostassem, que amassem e não disseminar o seu descrédito nas pessoas que estão formando. O professor tem que encantar o aluno. Foi o que aconteceu comigo. Ia ser historiadora, fazia os dois cursos juntos porque estava desanimada com o jornalismo, de tanto que tinham me desanimado. Mas eu encontrei alguém que me mostrou paixão (gesticula com ênfase, enaltecida!), que foi uma pessoa que tinha sido um grande repórter, que tinha parado pra dar aula e tinha se tornado um grande professor. Ele me mostrou a paixão desde a textura das palavras, o privilégio que é estar na rua em busca de histórias e me apaixonou pelo jornalismo. Sou muito grata por isso, porque tenho a convicção que é a melhor profissão do mundo - pelo menos pra mim é! Acho que esse é o papel da universidade: encantar, fazer mergulhar nas palavras, nos textos das reportagens, nas questões éticas, na construção de texto, no respeito das pessoas, no exercício do olhar… A universidade pode e deve ter uma grande importância em todo esse processo, mas eu acho que hoje a questão é a universidade se tornar importante e fazer a diferença na formação.
TFS: Alguma sugestão pra quem está começando agora e pretende também ingressar na carreira de jornalismo?
EB: O maior conselho que eu posso dar é que escutem. Escutem as pessoas, aprendam a escutar. E escutar é ouvir as texturas, ouvir os gestos, ouvir os sons e as cores, ouvir a complexidade do real. Resistam em fazer matéria por telefone, por e-mail, porque a gente não escuta e não vê a realidade por e-mail ou por telefone. Às vezes vai precisar fazer, mas a maioria das vezes é possível resistir e ir pra rua. A realidade continua no mesmo lugar: na rua. O repórter precisa duvidar sempre, usar a dúvida como exercício de conhecimento. Não a dúvida cínica, mas a dúvida generosa. Começar duvidando das suas próprias certezas, só assim conseguimos atingir o outro sem preconceito.

Fonte da imagem: http://oglobo.globo.com/fotos/2008/02/11/11_MHG_pais_motoboys.jpg
Cansaço e atraso são ações rotineiras na vida de Adilson. Aos 31 anos, casado e morador de Osasco, é pai de um filho que, não por coincidência, gosta de motos. A escolha da profissão não aconteceu de forma voluntária. Por estar desempregado desde 2001, decidiu que deveria usar sua motocicleta como instrumento de trabalho para sustentar a família. “A profissão é meio complicada, muito discriminada. Falam que todo motoboy é ladrão, mas a maioria é pai de família, tudo trabalhador”, desabafa. Nas adrenalinas da vida, percorre diariamente uma distância de 150 km passando por São Paulo, região do ABC, Osasco e cidades do interior. “Gosto mesmo é de pegar umas viagens, é melhor do que enfrentar a gente estressada no trânsito”, descreve Adilson com certo entusiasmo.
A questão social é palavra-chave para definir a problemática dos motoboys. Além de enfrentar o caos diário das megalópoles como São Paulo, eles têm que ‘se virar’ para realizarem seu trabalho com eficácia. Inseridos na base da infra-estrutura capitalista, vorazmente criticada por um dos ícones da sociologia, Karl Marx, eles delegam suas funções sob constante pressão para que o ciclo dessa engrenagem avance com vigor. O estudioso Augusto Stiel Neto, que elaborou um trabalho antropológico sobre os motoboys nas metrópoles, em poucas palavras relaciona a teoria marxista com esses trabalhadores na contemporaneidade: “Os motoboys, enquanto grupo e atores sociais, estão inseridos nas relações de trabalho capitalistas e, portanto, imbuídos de história das relações sociais e de sua evolução enquanto categoria”. Faz sentido: o motoboy, impreterivelmente, deve cumprir horários em determinada empresa, onde geralmente é encarregado pela entrega de malotes e correspondências internas. Para que essa empresa mantenha o giro econômico, é necessário que a entrega seja feita o mais rápido possível – por isso a contratação de um motoqueiro, que transita com mais facilidade nas vias arteriais das grandes cidades. “Andar sob duas rodas no trânsito é muito mais rápido e permite que a comunicação de várias empresas seja mais eficaz, possibilitando em mais produtividade”, afirma Clotilde Veiga, gerente de Recursos Humanos (RH) de uma empresa que ela não quis identificar. Não só a empresa como parte do quadro de funcionários internos também fica satisfeito com o serviço de entregas, uma vez que o setor de Recursos Humanos nem sempre se localiza na própria empresa. Em suma, os motoboys vivenciam na pele o período de globalização – tudo deve ser feito rápido e de maneira eficiente. “Vivemos em uma sociedade onde a velocidade é importante. As coisas precisam acontecer rapidamente”, explica a especialista em Sociologia Econômica e professora da Universidade de São Paulo (USP), Ana Maria Bianchi. A pressa impede que o cidadão espere alguma correspondência importante pelo correio e os motoboys, nas palavras de Bianchi, “são vitais para preencher essa lacuna da necessidade de transportar rapidamente entre os locais”.
Além de ser responsável por parte das entregas da Editora Globo de segunda à sábado durante 10 horas por dia, Adilson garante uma renda extra nas pizzarias por pelo menos quatro vezes na semana; ou seja, por aí vão, em média, 13 horas de trabalhos diários. “O mais difícil da profissão é encarar o trânsito, porque tem muita gente estressada, nervosa, muita fiscalização, muita ‘treta’”, relata o motoboy com certo tom de inconformismo. É por isso que ele prefere trabalhar à noite em uma pizzaria por ser mais sossegado. No mesmo caminho de Adilson encontra-se C. Silva, também de Osasco, 30 anos, casado e pai de dois filhos. Ele prefere não se identificar, pois sofreu um acidente que o fez perder a audição do ouvido direito e não consegue passar em testes de audiometria para renovação da carteira de trabalho. Caso ele arranje um emprego registrado em uma empresa e sofra um acidente, pode ser processado por negligência condicional. Apesar disso, nos fins de semana presta serviços para uma pizzaria no bairro de Alphaville, graças à indicação de Adilson. “É esporádico. Se fizer ganha, se não fizer, não ganha. Os caras te pagam de R$6 a R$7 por hora pra você trabalhar que nem um louco e ainda te xingam se você faz coisa errada”, escancara C..
É rotineiro ver motoristas de ônibus e automóveis particulares disparando palavrões aos motoboys nas mais movimentadas avenidas de São Paulo, como a 23 de Maio, Radial Leste e marginais Pinheiros e Tietê. E vice-versa. O motivo mais comum é a falta de atenção na ultrapassagem de carros para outras faixas, o que acaba resultando em fechamento dos motoqueiros e impedindo-os de circular livremente pela via. Como conseqüência, retrovisores são chutados, carrocerias são arranhadas ou, em casos extremos, uma mobilização maior de vários motoqueiros reunidos acaba comprometendo o fluxo no trânsito. Neste caso, vale ressaltar a força coletivista desse grupo, o que acaba por causar medo nos motoristas novatos e exige maior precaução dos mais experientes. “Se a gente [motoboys] não se unisse, com certeza os motoristas iriam errar mais e causar mais acidentes com os motoqueiros”, diz Alan Silva, que já trabalhou mais de seis anos em cima de uma moto. Ele afirma que, apesar de deixar de ser motoboy na profissão, o sentimento de ‘união com os parceiros’ não deixa de prevalecer. “Posso não conhecer o cara que está naquela moto da esquina, mas sei que se ele sofrer um acidente por imprudência do motorista, eu o defendo. E sei que não vou estar sozinho”, ressalta com convicção. Como Alan diz, acaba sendo mais um jogo de defesa que ataque por parte dos motoboys, uma vez que eles representam pura e vivamente o símbolo de desigualdade social. A professora Bianchi analisa com bons olhos que esses aventureiros em duas rodas, por serem funcionais despercebidos por parte da população, encontram uma identidade coletiva que garantem seu espaço na sociedade. “São as minorias que vão se unir, é natural. Um fenômeno que é bom, embora eles corram e tenham formas de vida arriscada”, teoriza. É como se eles ajudassem a formar a base de uma pirâmide: dependem do transporte para trabalhar, movimentam a economia citadina e ainda estão vulneráveis aos acidentes fatais nas grandes avenidas. O jornalista de O Globo, Adauri Antunes Barbosa, informou os seguintes dados: os motoboys executam 98% das entregas em domicílio no setor de alimentos e transportam 85% dos medicamentos e produtos da área de saúde, como bolsas de sangue e pequenos equipamentos cirúrgicos; movimentam 60% dos malotes dos grandes bancos e são responsáveis por todo o serviço de entregas da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Para todo esse serviço arriscado, os motoboys ganham, em média, um salário de R$1 mil, dos quais são descontados do próprio bolso os valores de combustível, uniformes empresariais, capacetes e manutenção da motocicleta. “Líquidos, sobram menos de R$500” disse Moacyr Alberto Paes, diretor da Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo).
Segundo números da Abraciclo, cerca de 680.000 motocicletas circulam pela capital paulistana, o que significa um aumento de 127% da frota de dez anos atrás. Desse número, pelo menos 150.000 motoboys são registrados. Parte desse crescimento na compra de motos se dá pela facilidade de crédito. Há quem especule que essa estatística pode aumentar com o infindável acúmulo de automóveis de passeio nas ruas. “Eu acho que uma hora vai parar tudo, de tanto carro que está saindo. É muito carro! Desse jeito, só moto vai andar e bem devagar”, profetiza C. Silva. E ainda arrisca o prognóstico: “A solução para resolver o problema é deixar somente os profissionais na rua; quem passeia deve travar o carro em casa. Esse pessoal tem que andar de ônibus, bicicleta, metrô”. No início do ano, a tentativa de reservar uma faixa exclusiva para motoqueiros na Avenida 23 de Maio foi frustrante. Segundo a Folha Online, “em média, a via tinha, entre as 10h e às 16h, 3 km de lentidão. O índice saltou para uma média de 5 km depois que a nova faixa foi implantada”. Apesar do aumento de compra de motocicletas, o fator social permanece discriminatório em relação aos veículos de passeio. “Quando a pessoa compra um automóvel, se sente mais poderosa [econômica e socialmente]. É uma forma de deslocamento em uma cidade onde a qualidade de transporte coletivo é muito ruim”, define Ana Maria Bianchi. Já o experiente motorista Arnaldo Silva, de 42 anos, pensa de forma diferente. Ele tem dois automóveis para “burlar o rodízio”, pois também depende dele pra trabalhar. Arnaldo acredita que a conduta dos motoboys não se explica com o crescente acúmulo de carros e diz não ter interesse de deixar o automóvel em casa para tomar ônibus até o trabalho. “Sei da importância do rodízio, mas eu me desloco de uma loja para outra. E essa movimentação não tem condição de ser feita com o precário transporte de São Paulo”, afirma o supervisor de cozinhas da rede de restaurantes Ráscal. Fica difícil reverter esse quadro quando se depara com o aumento da venda de veículos de passeio no país. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou que as vendas do setor aumentaram 30,1% no primeiro semestre desse ano em relação ao mesmo período de 2007, somando um total de 1.338.078 unidades comercializadas. Em outras palavras, como dificultar o crédito de um setor que enche os cofres da economia do país?
A vulnerabilidade é ainda maior quando se analisa o indivíduo sobre as duas rodas; os motoboys são alvos fáceis de policiais no trânsito de São Paulo. Na visão da maioria desses profissionais, os ‘enquadros’ ocorrem por haver uma generalização negativa por parte da polícia e da própria sociedade. Adilson foi uma dessas vítimas. Certa vez, enquanto ia para o trabalho, foi parado por um policial por estar com o retrovisor rachado. Mesmo com todos os documentos legalizados, teve a moto apreendida. “Tive que ficar um mês e meio sem trabalhar até regularizar a situação”, relata o motoboy. O teórico Augusto Stiel lista alguns dos principais problemas decorrentes da violência que acerca o cotidiano dos motoboys: “Barrados em bancos por não terem atestado médico sobre um pino que colocaram na perna por força de um acidente acontecido há anos, parados em blitz policiais, sempre multados por constantes infrações e tratados como marginais pela imensa maioria da população, os motoboys justificam seu comportamento muitas vezes violento como forma de defesa pelo tratamento que recebem. Isso sinaliza para uma hipótese interessante nas relações sociais citadinas: algumas categorias poderiam dar vazão à violência latente, presente na tensão permanente da disputa territorial na cidade, como uma forma de defesa justificada frente a constantes e reiteradas demonstrações de preconceito”. Bianchi enxerga a situação por uma ótica diferenciada. “Não sei se é preconceito, porque os motoboys têm uma atitude que de fato atrapalha o transito. Eles são vítimas, mas também causam acidentes. É mais um conflito de atitudes e de situações mal resolvidas”. Na visão da socióloga, a exclusão social do motoboy, que gera a agressão generalizada e, ao mesmo tempo, um sentido de unidade entre eles, é gerado pela negligência social suscitada pelo cotidiano corrido das megalópoles. “Numa cidade como São Paulo, a presença de motoboys está em todo lugar, e é um fato que nem se discute. Na verdade, as pessoas nem prestam muita atenção na profissão deles”, contesta. E essa insatisfação com o trabalho já vem por parte dos motoboys. “Todos os veículos na rua criam uma situação violenta de coordenação. A própria profissão dos motoboys os deixam agressivos. E os motoristas também tomam atitudes agressivas, por isso ocorre esse choque”, complementa Bianchi.
Veja a entrevista com Giuliano Cedroni, roteirista do documentário Motoboys: Vida Loka, dirigido por Caito Ortiz, com algumas cenas do longa:
MINI-DICIONÁRIO DO MOTOBOY
- Cachorro louco: motoboy temerário, que pilota com arrojo, podendo causar perigo para si e para os outros motoristas e pedestres;
- Comprar chão ou comprar terreno: cair da moto;
- Sem terra: alguém que nunca comprou chão;
- Corredor: fileira que fica entre os carros no congestionamento por onde passam os motoboys;
- Aloprado: Serviço arriscado;
- Bração: Motorista que atrapalha o motoboy;
- Trampo-roça: Entrega em lugar distante.
*Esta reportagem foi originalmente escrita em setembro/2008 e publicada no Portal Anhembi, com uma formatação diferenciada (a qual não gostei muito, por isso o post!)
Fazem parte de sua equipe:
- Cleber Arruda: chefia de reportagem, edição e sonoplastia;
- Luize Altenhofen: reportagem e locução;
- Renato "Jahpa" Lavdovsky: reportagem, edição e núcleo humorístico;
- Ronaldo Sanaie: coluna humorística (Piadas do Ronaldo) e reportagem
- Tiago Ferreira da Silva: chefia de reportagem, coluna de variedades, edição e sonoplastia;
- Vitor Davied: reportagem, edição, locução e núcleo humorístico.
Na primeira edição:
Entrevista exclusiva com Oswaldo Pereira, o pioneiro do disc-jockey no Brasil. Por Tiago Ferreira da Silva e Cleber Arruda; Esportes Radicais em Juquitiba, por Ronaldo Sanaie; A profissão de uma educadora, por Cleber Arruda. Além de Oriente Médio, Iggy Pop, novo álbum de Caetano e Piadas do Ronaldo.
Apresentação: Luize Altenhofen e Vitor Davied.
Na segunda edição:
Entrevista com Sandra Corveloni sobre sua atuação no filme Linha de Passe e a conquista do prêmio Cannes de melhor atriz. Por Vitor Davied; Entrevista com o comentarista Neto sobre a atuação corinthiana contra o São Paulo no Paulistão. Por Luize Altenhofen. Estreia do quadro "Repórter em Ação", com Renato 'JaHpa' Lavdovsky sobre a violência do cinema brasileiro. Além de Nirvana, avaliação do Enem, cerveja e Piadas do Ronaldo.
Apresentação: Luize Altenhofen e Vitor Davied.
Compartilhe este Post:
Tag Cloud
tiagoferdasilva@gmail.com
Radio On The Blog
Atemporais
Referências da Net
- # 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer
- # 15 Anos de "Da Lama Ao Caos" (Tiago Ferreira da Silva -- Cronópios)
- # 50 Anos de Kind of Blue (Cronópios)
- # 500 Greatest Albuns Of All Time (Rolling Stone)
- # A resistência do CD (El País)
- # Article About Lula (Newsweek)
- # David Byrne Article (Wired Magazine)
- # Fotos do Gil (Flickr)
- # Google e o Futuro dos Livros
- # Intensificação das Enchentes no Nordeste (The New York Times)
- # Lula desrespeita a população classificando Sarney como "uma pessoa que não é comum" (Eliane Brum -- Revista Época)
- # Van Morrison (Entrevista El País)
Arquivo
Bíblias
- • Os Miseráveis - Victor Hugo
- • Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski
- • 1984 - George Orwell
- • Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley
- • A Metamorfose - Franz Kafka
- • 100 Anos de Solidão - Gabriel García Marquez
- • Os Irmãos Karamazov - Fiódor Dostoiévski
- • O Idiota - Fiódor Dostoiévski
- • O Caçador de Pipas - Khaled Hosseini
- • O Código Da Vinci - Dan Brown
- • O Príncipe - Maquiavel
- • Os Sofrimentos do Jovem Werther - Goethe
- • Estação Carandiru - Dráuzio Varella
- • A Revolução dos Bichos - George Orwell
- • Laranja Mecânica - Anthony Burgess
- • A Sangue Frio - Truman Capote
- • A Hora da Estrela - Clarice Lispector
- • O Senhor dos Anéis - Tolkien
- • O Olho da Rua - Eliane Brum
- • Quarup - Antônio Callado
- • O Primo Basílio - Eça de Queirós
- • Esaú e Jacó - Machado de Assis
- • Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis
- • Chega de Saudade - Ruy Castro
- • Budapeste - Chico Buarque
- • Verdade Tropical - Caetano Veloso
- • Minha Terra e Meu Povo - 14º Dalai-Lama
- • O Vermelho e o Negro – Stendhal

























