Tribo Maasai, que habita entre o Quênia e o norte da Tanzânia

Ainda hoje o continente africano é tratado como se fosse um subcontinente, um fardo dos países industrializados, uma pecha do sistema capitalista que não tem condições de fazer parte do 'jogo democrático'. Muitos levam a sério aquela frase segregacionista cunhada pelo célebre ex-presidente francês Jacques Chirac: "a África não está madura para a democracia".

Entretanto, é fácil cairmos nessa anedota ao depararmos com a situação de países como Niger, Congo ou Togo. Afinal, os antigos colonizadores africanos são os verdadeiros responsáveis pelas calamidades que hoje rondam o continente - assim como aconteceu com o Haiti.

A jornalista francesa Anne-Cécile Robert, especialista em relações europeias com a África, publicou no "Le Monde Diplomatique" (que teve uma tradução para a publicação brasileira - muito boa, por sinal) uma reportagem sobre os rumos democráticos do continente na década de 2000. Em sua apuração, relatou que a democratização à africana é delegada de clientelismos e opressão aos adversários. Tudo isso sustentado pelas colônias francesas e americanas.

O ex-ministro do Togo Atsuste Kokouvi Agbobli, que fora encontrado morto numa praia em 2008 (provavelmente assassinado), fez um importante e reflexivo questionamento: "É possível democratizar países dominados pelo estrangeiro?". 

Vale ressaltar que o domínio estrangeiro ainda presente na África decorre de sua abundância em bens naturais. Essa elite exploradora, para sustentar seu domínio, faz o que pode para bagunçar as nações, promovendo governos tirânicos que suscitem em violentas guerras civis. Assim, abstratamente o grupo estrangeiro pode reforçar seu tom acalentador e explorar à vontade o rico território africano. Um militante do Congo testemunha: "Em meu país, onde a empresa de petróleo Elf exerceu por muito tempo papel dominante, não hesitando em apoiar um golpe de Estado, existe a legitimidade democrática e a legitimidade petrolífera".

Segundo Anne-Cécile, "as populações perdem a confiança nos partidos e, diante da descrença na democracia, militares se colocam como justiceiros e a rebelião armada se torna uma solução lógica".

Nesse jogo de onde o mais forte faz o que pode para enfraquecer mais ainda os que não têm poder, nações inteiras são comprometidas pelas tiranias dos golpes de Estado patrocinados. Em 1961, o serviço secreto belga e a Central Intelligence Agency (CIA) articularam o assassinato do primeiro-ministro do Congo independente  Patrice Lumumba, o primeiro a declarar que a África tinha que se desvincular economicamente da Europa. Na Burkina Faso, o mesmo episódio se repetiria: o primeiro-ministro Thomas Sankara seria assassinado em golpe de Estado organizado pelas redes Françafricanas em 1987.

Diante deste cenário, percebe-se que o presente da África é resultado de um continuísmo da repressão europeia do passado. Apesar dos inúmeros avanços democráticos e humanistas no continente, como a chegada de Nelson Mandela à presidência sul-africana - pondo fim a décadas de segregação racial do apartheid -, a participação de todos os partidos políticos nas eleições presidenciais do Togo e a alçada ao poder dos civis após dura ditadura no Mali, o continente ainda sofre com, segundo termos da jornalista, "processos malconduzidos". Na verdade, são tentativas de manter a estabilidade das nações após a intervenção estrangeira. Quanto a isso, a comunidade internacional prefere nem abrir os olhos; negligencia, para não por em xeque sua parcela de culpa.

Intelectuais africanos defendem uma nova unidade fortificada do africanismo para escapar do domínio estrangeiro. O escritor camaronês Celestin Monga diz que o continente "sofre de quatro déficits profundos que se reforçam mutuamente: déficit do amor-próprio e da confiança em si; do saber e do conhecimento; da liderança; e da comunicação".

Já o escritor queniano Firoze Manji é a favor do papel das novas tecnologias na formação à distância sobre "assuntos variados como a defesa dos direitos humanos, a prevenção dos conflitos ou o papel da mídia". Ele aposta nas novas gerações, os "cheetah", "que não sofreram os traumas da colonização e nem querem ouvir falar deles".

Seria necessário uma mobilização popular africana para romper com a dependência europeia e americana, mas, quem garante que as superpotências não revidarão com mais força?

Em tempos de Copa do Mundo na África, essa é uma questão que deve, sim, entrar em pauta.


** (Referência: Anne-Cécile Robert, "África, entre a democracia e os resquícios autoritários", Le Monde Diplomatique Brasil, fevereiro de 2010, pg. 31.)


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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O que acontece com a Itália?


Algo estranho paira sobre a Itália. Difícil é interligar tudo isso com a ressaca pós-recessão econômica, crise de identidade do sistema capitalista ou mesmo com a revolução cultural dos anos 2000 com a virose informativa da internet.

Justo a Itália, que sempre fora conhecida como o berço da civilização mundial, mesmo que a custo de muito sangue e violência na Roma Antiga. Ou aquela Itália que atingiu a aura de sua fase artística com o Renascentismo de Michelangelo, Leonardo Da Vinci e Rafael. Ou, ainda, aquela Itália que trouxe novos rumos para o Cinema Mundial com as obras de Fellini, Vittorio de Sica, Paolo Pasolini e Roberto Rosselini. 

Mas, não, de todas as facetas italianas, a tecnologia provou que os jovens patrícios preferem rememorar os discursos do ditador Benito Mussolini, que criou o fascismo e deu margem para o fanatismo nazista que se propagou pela Alemanha, originando a Segunda Guerra Mundial. Segundo reportagem da Folha On-line, o aplicativo do iPhone que reproduzia os discursos de Mussolini bateu os recordes de downloads na Itália. Entretanto, o material foi retirado de venda por problemas de direito autoral. (Mas pode voltar a ser vendido se o problema for resolvido.)

Entre os discursos mais baixados, estava o que Mussolini pronunciou em 1938 em Trieste sobre a hegemonia do europeu, de cunho racista.

Soma-se a esse espectro o fato de que a popularidade de Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da direita que esporadicamente é comparado ao ditador fascista Mussolini, elevou sua  popularidade em dezembro de 2009 de cerca de 48% para quase 56%, principalmente após um golpe violento que recebera de um enfermo que, segundo as autoridades, "não tinha seu juízo perfeito".

Hoje, o jornal argentino Página 12 noticiou que Berlusconi, que tem amplo apoio na Câmara dos Deputados e no Senado, foi absolvido por não comparecer ao tribunal em que era processado por fraude e corrupção. O político líder da oposição Pierluigi Bersani ironizou o caso: "Até hoje, um primeiro ministro acusado que não comparecia a um processo devia justificar suas razões. A partir de amanhã, pode faltar ao tribunal porque deve trabalhar tranquilamente".

Juntando todos esses fatos, a única conclusão que pode se chegar é que algo estranho está acontecendo na Itália. É perigoso argumentar que uma possível ascensão do fascismo esteja ocorrendo, mesmo que debaixo dos panos, pois nenhum fato concreto aponta para este sentido. Talvez a recessão econômica, assim como aconteceu com o crash da bolsa de Nova York em 1929, dê margem para maior protecionismo nas transações comerciais e, posteriormente, possa criar movimentos nacionalistas mais intensos, assim como ocorreu com a ideologia fascista na Itália em 1933 - quatro anos após a crise.

Ainda é cedo para manifestar qualquer opinião. Enquanto isso, espero que os aplicativos italianos para iPhone também valorizem as cenas cinematográficas de Fellini, os quadros barrocos de Caravaggio e as esculturas renascentistas de Michelangelo. Já dizia Eric Hobsbawm, no seu clássico "Era dos Extremos", que a memória é a maior virtude da História. Foi a ausência da memória que desencadeou numa série de conflitos civis que marcaram o 'breve século XX'.

Talvez agora o cuidado que se deva tomar seja outro: deve-se precaver para que não haja uma 'distorção da memória'. Ou todos os tristes eventos do século passado podem se repetir, da forma mais catastrófica possível.


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Créditos da imagem: Gorka Lejarcegi (Jornal El País)

A catástrofe que ronda o Haiti é um claro exemplo para definir qual o papel de cada comunidade no mundo. Diante dos destroços e da triste calamidade, o que se vê é oportunismo em excesso para ver quem contribui mais no 'Show da Doação' do Haiti.

O problema não é a filantropia, mas o que está por trás dela. No momento em que a tragédia se tornou o epicentro dos noticiários, a China, país que mais cresce na atualidade, não poupou esforços para anunciar um envio de US$15 milhões aos haitianos. Para não ficar pra trás, Estados Unidos apressou-se em enviar auxílio financeiro, seguido da Comunidade Europeia.

Dá a entender que a condução da enorme crise que se estabeleceu no Haiti sirva de pretexto para que os mais ricos provem que somente extensas quantias de dinheiro podem salvar aquela nação da miséria eminente. Com isso, constrói-se a falsa ideia de que, se não fosse a ajuda dos gigantes do globo, aquele pedaço de terra (e sua população) sofreria o risco de ser deletado do mapa.

Acontece que, há tempos se fala em um investimento de infra-estrutura e de melhoria social no país. O Brasil já chegou a avançar esse debate, mas foi barrado pelo descaso dos Estados Unidos. Antes da calamidade, o Brasil tinha o maior contingente de tropas fora do país desde a Segunda Guerra Mundial: cerca de 1.500 soldados ocupavam as ruas de sua capital, Porto Príncipe. O motivo da ocupação (desde 2004) era garantir a segurança do país mais pobre do hemisfério ocidental - naquela ocasião, o Haiti era a 154ª colocação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), 23 posições a frente do último (o Niger).


Mas a verdadeira negligência humanitária das doações não demorou a mostrar sua face. A falta de organização na entrega do material doado (principalmente comidas) é comparável ao tratamento agressivo dos treinamentos do BOPE. Quando se tem o poder, e sabe-se que muitos dependem dele para fazerem parte do jogo capitalista, o senso de humanismo diminui e, em troca, adquire-se comportamentos elitistas que não permitem o contato em mesmo nível com o outro menos abastado.

Afinal, o que mais explicaria o terrível fato de arremessar alimentos de helicópteros amplamente protegidos, enquanto os miseráveis na terra plana batalham para conseguir levar o tão escasso prêmio da refeição doada por entidades? Quer dizer que, porque sofreram de uma causa ambiental, as autoridades podem se dar ao luxo de tratá-los como animais enjaulados naquele mísero pedaço de terra?

A quantidade material tomou o espaço da interferência humana. Para se ter uma ideia, o Exército brasileiro, que tem a missão de proteger cidadãos da violência (que aumentou depois do terremoto com saqueamentos, furto de comida, repressão policial para conter os tumultos, etc), são os poucos responsáveis pela entrega dos alimentos em solo. Assustados com o motim que se segue às entregas, eles abandonam os pontos estratégicos rapidamente para evitarem um conflito com os civis; mas, neste ato de prevenção, acabam suscitando um conflito entre civis. Pois nem todos têm a 'sorte' de receber os alimentos doados.



PEQUENO RESGATE HISTÓRICO

Peter Hallward, colunista do jornal britânico "The Guardian", lembrou que grandes catástrofes naturais, como terremotos, já aconteceram anteriormente no Haiti. Mas ele atenta ao fato de que o maior problema do país é a pobreza; e a pobreza, a consequência brutal da colonização.

No século XVIII, o Haiti já chegou a ser a colônia francesa mais eficiente em termos de produtividade de açúcar, cacau e café, apesar do sistema opressivo dos europeus. Mesmo assim, em 1794 foi o primeiro país do mundo a abolir a escravidão após uma grande revolta popular.

O país tentou estabelecer uma política independente, mas o ex-escravo Toussaint Louverture, que liderava a população haitiana, foi capturado e morto pelos franceses, que incitaram a proclamação da independência e bloqueram comercialmente o país por mais de seis décadas. Para sair da reclusão, os haitianos tiveram que pagar uma absurda quantia para os franceses, abalando imensamente sua economia.

Em 1915, os norte-americanos ocupam o Haiti com a premissa de organizarem politicamente o país. Na tentativa de prevenir o cargo de presidência aos mais pobres e evitar manifestações populares, eles apoiaram em 1957 o político François Duvalier, o Papa Doc, para administrar o país. Papa Doc instaurou uma ditadura que não permitia articulações políticas contrárias e espalhou a política do medo, perseguindo a Igreja Católica e disseminando a exploração vodu. Essa perseguição perpetuou-se até a década de 1980, com seu filho Baby Doc no cargo.

Tempos depois, em 1990, o padre católico Jean-Bertrand Aristide assume o poder com 75% dos votos da população haitiana em eleição democrática, mas é deposto pelos generais e obrigado a se exilar nos Estados Unidos. Como retaliação, a comunidade internacional decide bloquear o comércio com o país, desestabilizando de vez sua economia. Em 1994, Aristide volta ao poder, mas assume um Haiti mergulhado na miséria e no caos da violência.

A partir de então, a situação só tem piorado. Sem articulação política sólida e com uma economia estagnada, o país não tinha condições de manter sua população de mais de 8 milhões de pessoas de forma eficiente. Para se ter uma ideia, cerca de 75% da população vive em situação de miséria: 56% delas vive com menos de $1 por dia.

Portanto, a dívida das grandes nações com o Haiti é imensa. Séculos de colonização e exploração culminaram em um desastre civil que o tornou um dos piores países para se viver. Sem dinheiro, sem força política, sem aliados, o Haiti é nada mais que um espaço ocupado. Com o terremoto, passou a ser um fardo para as nações. Só que, deste fardo, a comunidade internacional pretende realçar sua abstrata força voluntária e trata os cidadãos haitianos como se fossem meros animais, meros destroços, meros objetos inanimados que precisam se ver livres da sujeira de alguma forma.

A demagogia construída com a condução da crise haitiana chega a ser maior do que os vastos problemas que ela enfrenta. As doações continuam a ser feitas, o que não deixa de ser uma boa notícia diante da catástrofe. Mas, enquanto não houver organização para distribuir todas as arrecadações, a situação pode piorar. No momento, isso é o mínimo que a comunidade internacional tem que se dispor a fazer.

E, enquanto isso, pensar em uma possível reconstrução de Porto Príncipe, pois a miséria lá instaurada, em larga escala, é a causa do enriquecimento daqueles que hoje mandam no globo.


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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Afeganistão - e os rumos do mundo - nas mãos de Obama


 
O problema de ser centrista é que as críticas vêm de todos os lados, não importa se tenha ou não fundamentos. Barack Obama está sentindo isso na pele com a Guerra do Afeganistão. Recentemente, o presidente americano aprovou o envio de mais 30.000 soldados, a pedido do general Stanley McChrystal, para auxiliar na difícil missão de vencer a guerra. 

Como se já não tivesse recebidos críticas demais dos esquerdistas e alguns membros do Partido Democrata por fomentar uma guerra, Obama agora comprou algumas birras com o Partido Republicano - que em sua maioria apoia a permanência dos soldados no Afeganistão para combater o Talibã - por estabelecer um prazo para a retirada das tropas. Se até julho de 2011 não houver nenhum avanço no diálogo com a facção, os soldados voltam para os EUA. Os Republicanos argumentam que estabelecer prazos é um indício de fracasso na estratégia de guerra, por fazer com que os soldados operem sob pressão. Pelo menos não foi essa a impressão passada pelo general Stanley McChrystal, que está comandando a operação. Segundo o jornal El País, o general se sente incentivado pelo prazo dado.

Capturar simpatizantes do Taleban e ir com tudo pra cima deles não é bem a tática de McChrystal. O general pretende cooptar árabes a lutarem do lado dos ocidentais para que a ordem seja estabelecida no Afeganistão. Difícil pensar em ordem com um exército estrangeiro em seu território. Ainda mais um exército que desconhece a língua do país em que está instalado. Portanto, as dificuldades para que os planos de Obama sejam colocados em prática são imensas. É uma batalha contra a diferença cultural dos soldados ocidentais em relação aos cidadãos afegãos; uma batalha contra a impunidade terrorista de ameaçar de morte os patrícios que delatarem o esquema do Talibã aos americanos; e, agora, uma batalha contra o tempo estipulado pelo presidente. Por um lado, esse prazo é bom porque agiliza o processo e dá uma esperança aos soldados que batalham nessa guerra; por outro, pode ser curto e dificultar no diálogo efetivo com os afegãos.

Provavelmente, Obama põe fé no diálogo parcimonioso para solucionar a triste situação a que o Afeganistão se encontra. Mas, como se vê, o cenário não ajuda muito. McChrystal vai ter que tomar atitudes bem pensadas para que a guerra não seja em vão.

O PESO DA GUERRA

A proposta de Obama em trazer um ambiente mais pacífico ao Afeganistão com certeza está relacionada à sua origem muçulmana e, talvez, ele aposte nisso para conquistar com êxito seus objetivos naquele país. Soma-se a isso a sua batalha pelo apoio do partido oposicionista (que é a favor da  guerra) para que seus projetos sejam aprovados com mais facilidade.

Por outro lado, o peso da responsabilidade de manter uma guerra  é muito grande. Muitos críticos até relacionam essa política de Obama com a do democrata Lyndon Johnson na Guerra do Vietnã, que foi derrotado pela retórica belicista de Richard Nixon, do Partido Republicano, nas eleições de 1968. Se Obama fracassar, o slogan da mudança vai pro ralo. É algo muito ousado e arriscado por quatro motivos:


1 - Se Obama não vencer essa guerra, o Partido Republicano vai cair matando em sua estratégia e vai fazer o possível para que os cidadãos americanos adotem a política do medo, tal qual fez Bush depois de 11 de Setembro. Não é de se admirar que essa cena se repita.

2 - Obama pode perder a confiança de seus eleitores e pode obter um índice de desaprovação imenso não só em casa, mas também em toda a comunidade internacional, que irá associar essa derrota à sua inexperiência política. Ele pode nunca mais se candidatar.

3 - A carga de preconceito com os negros com certeza pode se elevar. Aliás, Obama é o primeiro presidente americano negro da história e carrega consigo um legado muito grande. O peso de vir de uma raça que foi escravizada durante anos pelos eurocentristas e que, quando tem a oportunidade de estar no poder, também se vê passível a cometer erros, é muito grande. Adoraria não afirmar isso, mas sei que essa ira racial é algo que pode ruir, principalmente em um país como os Estados Unidos.

4 - Os muçulmanos, que já são ridicularizados e alvos de preconceito pelos ocidentais, estarão em uma barreira cada vez mais intransponível no diálogo com a comunidade internacional. O que vem depois disso pode ser perigoso. Algo como uma Guerra Fria entre culturas e raças, não mais potências hegemônicas.

Por mais que seja contra guerra, há motivos para confiar em Obama. Porque ele sabe que tudo isso está em jogo. Dar um prazo para o término dessa guerra, em minha opinião, foi a decisão mais sábia no momento. Pelo menos se os Estados Unidos simbolicamente perderem essa guerra, já estarão precavidos para retornar com a consciência limpa, sem cair no crasso erro de prolongar os efeitos danosos que já foram - e os que ainda vão ser - marcas dessa guerra que, nas palavras do presidente, aparenta ter um fim, esteja ele próximo ou não.

Agora, a questão da confiança em Obama vai pesar bastante.

 

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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Lula aposta na moderação nas relações com o Irã


Caso o Brasil realmente queira assumir a hercúlea tarefa de mediador no Oriente Médio, tem que manter os pés no chão e saber ouvir os dois lados. Pelo menos, Lula foi suficientemente moderado para não dar importância às polêmicas declarações do presidente Mahmoud Ahmadinejad em sua visita ao Brasil ontem, e não se sujeitar à política restritiva da comunidade internacional.

Ainda impera o medo mundial característico pós-Guerra Fria de que o presidente do Irã tome posse da bomba atômica com seu programa de enriquecimento do urânio e, do nada, queira atacar os inimigos da região. Israel é quem mais dissemina esse temor, clamando à Obama e ao mundo sanções para que esse programa seja interrompido. Importante citar que a nação judaica é a maior potência da região, por ter apoio bélico dos países mais ricos do globo.

Ahmadinejad insulta a comunidade judaica por ter declarado que o Holocausto não existiu e que não se importaria se Israel fosse varrido do mapa. Isso porque Israel foi um estado mal planejado e construído na base do imperialismo em 1948, após o fim da Segunda Guerra Mundial. Criado para abrigar os judeus que resistiram ao massacre de Hitler, teve apoio financeiro dos EUA e da Europa como forma de agradecimento à importante contribuição intelectual dos judeus em diversos campos acadêmicos.

Só que os judeus não queriam uma região qualquer. Queriam um local bíblico, sagrado, como a Jerusalém Antiga. Aliás, há séculos que os judeus pretendiam ocupar esse lugar - justamente na Palestina, terreno árabe, palco de confronto entre as duas religiões. Tudo por conta de dois períodos históricos:

1) O massacre dos cristãos contra judeus e árabes no período das Cruzadas. Os judeus não ficaram tão enfurecidos quanto os árabes, que acabaram interpretando essa reação como uma condescendência judaica. Aliás, por volta do século XI, os cristãos invadiram território palestino, que era ocupado pelos árabes, que foram aniquilados em grande maioria;

2) Com o fim do Império Otomano, que durou do século XIII ao início do século XX, no período da Primeira Guerra Mundial, os árabes acabaram perdendo a hegemonia da área que vai do sudeste europeu ao chifre da África. Com a queda de Hitler, os egípcios e sauditas tentaram novamente estabelecer uma unidade árabe que lhes desse um poder semelhante ao de outrora. Enalteceram os preceitos do islã para controlar a região e se uniam do jeito que podiam para conquistar novamente o império. Até que... buemba! Israel ocupa a Palestina.

O presidente iraniano, apesar da mudança dos rumos históricos, reflete hoje os interesses soberbos dos árabes em predominar a região, que sempre foi estratégica graças à riqueza dos recursos naturais e da posição geopolítica no globo. Só que Ahmadinejad é apenas um mero mensageiro de seu país. A comunidade internacional o repudia como pode por seus argumentos políticos que ferem a ordem mundial, mas ele é apenas uma figura moldada pelo líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.

Foi o aiatolá quem apoiou a ascensão de Ahmadinejad no poder e, provavelmente, deve ter patrocinado a fraude nas eleições em junho deste ano. Ele controla a política, o Judiciário, a liberdade de imprensa no país e a segunda maior reserva de petróleo do mundo. Apoia os movimentos extremistas como o Hezbollah (Líbano) e o Hamas, que preocupa as autoridades israelenses na Faixa de Gaza. Em seu país, Khamenei não tolera a manifestação de grupos que em sua avaliação são considerados insurgentes (como gays, lésbicas, travestis, ativistas políticos e contrários ao governo).

De fato, o aiatolá, em aliança com os árabes egípcios e sauditas, promove como pode o conflito na região para que o extremismo islâmico se torne uma força unificada e tenha poder suficiente para comandar o Oriente Médio.

Não é de hoje que o Irã preocupa a comunidade internacional. Desde a Revolução Islâmica, promovida em 1979 pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, o Irã perdeu o apoio geopolítico dos Estados Unidos para aderir a uma república teocrática, com o apoio dos xiitas que constituem a maioria de seu povo. Acabava o longo período histórico em que o Irã era regido por uma monarquia, que remonta ao século VI a.C., na época de Ciro. Quando assumiu, Khomeini argumentou que seu país estava se ocidentalizando demais e atropelando a tradição religiosa do islã.

Tal reviravolta no Oriente Médio fez com que os EUA mudassem de posição e apoiassem o regime do ditador iraquiano (e sunista) Saddam Hussein. Aproveitando que Irã e Iraque estavam em conflito, em 1980 patrocinou a guerra entre os países, que culminou com a morte de cerca de 30 mil soldados iranianos. Os EUA não tinham esquecido o episódio em que mais de 50 americanos foram feitos reféns em sua Embaixada em Teerã. É nessa época que se inicia a geopolítica do medo e da soberania americana sob o comando do republicano Ronald Reagan, que facilmente derrotou Jimmy Carter nas eleições graças ao seu tom belicista.

Nas relações internacionais, Lula vai ter que analisar bem todos os ângulos possíveis da história. O que realmente está em jogo, sem sombra de dúvida, é o interesse em desfrutar dos recursos naturais do Oriente Médio. O presidente, esperto como é, quer firmar uma parceria estratégica nas relações comerciais para exportar mais alimentos ao Irã em troca de mais petróleo.

Talvez essa história toda de mediação seja um simples alarde, graças à fama conciliadora de Lula. Pelo menos ele fez sua lição de anfitrião sem irritar nenhum dos lados dos quais joga: defendeu a criação de dois estados como solução para o impasse de Israel e Palestina e, ao mesmo tempo, defendeu o direito do Irã de prosseguir com as pesquisas em urânio - que não quer dizer que Lula seja a favor de que o país tenha posse da bomba atômica.

Pelo jeito, para Lula e para os interesses comerciais do Brasil, a visita de Ahmadinejad foi boa. É importante manter esse papel conciliador. Mas, não se sabe o que pode vir daqui pra frente. A imprensa torce para que o presidente iraniano faça alguma cagada para apontar o dedo acusatório à Lula. Todavia, a política é um jogo contínuo. Só o tempo vai provar se a parceria brasileiro-iraniana é um pacto com Judas.

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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O comunismo na China, 60 anos depois

Hoje, a República Popular da China celebra 60 anos de comunismo; tempo em que o líder Mao Tsé-Tung rompeu com o imperialismo.

Apesar de causar espanto pra muita gente só de mencionar o nome, o comunismo já teve muitas facetas e experiências, principalmente no século passado. É tempo de redefinir o significado desse sistema político que ainda confronta com o capitalismo, principalmente em tempos de crise (que, para muitos, já se foi).

A China atualmente é o país que mais cresce no mundo. Tem uma média de crescimento anual em 10% do PIB e um importante papel nos negócios mundiais, já que domina bastante o mercado de manufaturas. Entretanto, ela suscita indagações por suas leis de trabalho, que muitos associam à exploração. A lei trabalhista de lá permite que o chinês trabalhe por 8 horas em 6 dias semanais, como no Brasil, mas muitas empresas encontram brechas e prendem seus empregados por mais tempo.

Muitas perguntas se fazem, mas não vejo nenhuma analogia, tipo: o comunismo realmente deu certo na China? As teorias marxistas realmente surtiram efeito no gigante asiático?

Teoricamente, na China ocorreu a grande união do campesinato, estimulado pelas ideias leninistas de Mao, para formar uma base militar com a intenção de derrubar o partido nacionalista de Kai-Shek, que se opunha ao Partido Comunista.

A China havia passado por mais de 200 anos de dinastia imperialista. O povo dos campos era explorado e no país só se dava bem quem fazia parte da aristocracia. Mas sempre fora um povo pacífico, alheio às discussões políticas. A religião e filosofia chinesas prezam muito por uma vida simples, de privações individuais; não há um senso coletivista de revolução, de união mútua para defender-se dos problemas da nação.

Mao Tsé-Tung contrariou essa corrente e exportou para o oriente as ideias de Marx. Entretanto, ele não partilhava do mesmo comunismo de Joseph Stálin, que vencera a Alemanha na Segunda Guerra Mundial; conhecia bem o seu povo e sabia controlar muito bem o seu território sem parcerias globais. E sem perder o tal do 'carisma'.

Mas isso não chega ao ponto. Anos depois, Xiaoping abriu a China para o mundo, em 1978. É como se ela jogasse o jogo do capitalismo sem largar de mão o ideal do comunismo. Com isso, a China estava apta a importar e exportar aos milhões, participando do comércio mundial. E é graças a isso que ela acumulou todo esse poder econômico atualmente, na era de Hu Jintao.

Vale ressaltar que não foi o comunismo que deu certo, porque ele tirou a vida de pelo menos 60 milhões de chineses nos tempos obscuros de Mao - principalmente com a Revolução Cultural. O interesse do cidadão comum de querer marcar oposição, enfrentar o sistema político, 'querer mudar o mundo', não é um sentimento comum na China como se vê na face de qualquer estudante de história no Brasil (frisando: nada contra, apenas exemplo).

Na verdade a China criou uma simbiose entre comunismo e capitalismo com o argumento de proteger os cidadãos do vírus consumista do capitalismo. Pois a cultura da China, vinda lá dos tempos de Confúcio, condena o consumo em excesso - ele é visto como uma necessidade de sobrevivência. Esbanjar é mau. Poupar é bom, para manter a educação dos filhos, ter uma vida digna. Isso perdura em muitos imigrantes chineses que estão no Brasil.

Mas a China ainda está em mudança. Lá, o consumo está começando a se tornar uma realidade. As mulheres querem se embelezar para entrar no ramo da moda, os rapazes agradam suas paqueras com presentes pomposos, a dona de casa já não abre mais mão da máquina de lavar.

Tudo ainda é muito recente. Com abertura em 78 - e com a participação mais ativa da China nos negócios mundiais -, o país ainda está em processo de mudança, em transição para uma nova fase mundial. Talvez seja o momento em que o país vai se destacar cada vez mais, vai atrair a atenção de vez da cultura ocidental - que, por sinal, é muito diferente.

Mas isso não é êxito do comunismo. São valores chineses de poupança e interesse no comércio que foram assimilados à concorrência e à oportunidade de lucro oriundos do capitalismo.

Comunismo está cada vez mais distante do cotidiano chinês. Do jeito que a coisa anda, até mesmo a cultura chinesa pode pagar pelo parto. Para eles, o comunismo deixou de ser uma unidade de poupança, mas não deixa de ser uma força do Estado. Na China, nem tudo ainda é liberado. Mas o pessoal não deixa de sair às compras. Xangai e Pequim, cada vez mais, estão cobertas de shoppings e centros comerciais.

Comunismo é mais uma questão de existência, uma importante transição que a China imperialista e retraída teve para se tornar o que é hoje.

No momento, a questão é: será que o consumismo realmente invadiu o gigante asiático?

*Obs: Quem estiver interessado, recomendo que leia o Especial da Veja sobre a China. Não é sempre que a revista consegue, mas ficou muito bom. Dá pra ter uma visão do ritmo de crescimento do gigante.

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Hugo Chávez não é excêntrico. Tampouco, alarmante. Muito menos, desregulado.

Quando o presidente venezuelano defende com vigor que as tropas americanas se retirem da Colômbia, sabe que não é em vão a retórica da dominação dos Estados Unidos no continente sul-americano. Barack Obama, até agora, não voltou seus olhares com afinco para a política da região, apesar de manter bons diálogos com a diplomacia da América do Sul.

Só que a permanência das tropas americanas na Colômbia implica não só em mais insegurança para a cúpula esquerdista liderada por Chávez, mas tira um pouco da autonomia dos países da América do Sul, principalmente do Brasil, maior território da região. O que mais intriga é ver que a imprensa brasileira não se posiciona firmemente nessa questão, porque não sabe argumentar contra a atitude dos Estados Unidos em espalhar seu exército globo afora.

A geopolítica norte-americana é representada pelo seu Exército contíguo em áreas estratégicas. Segundo informações da Folha, os Estados Unidos têm mais de 300 mil soldados no exterior, fincados em 40 países (clique na página de jornal ao lado).

Ou seja, EUA ainda fazem política à lá Guerra Fria, espalhando não ideologia capitalista e influência ianque, mas poder, assegurando uma força dominante no globo. Não é à toa que 43% dos gastos globais em militarismo advém da maior potência. Pouco?

Afirmar que a aceitação do exército americano na Colômbia é uma tentativa de acabar com o narcotráfico é um disparate, e dos grandes. Se é para tanto, Álvaro Uribe (presidente da Colômbia) podia muito bem fechar uma reunião com os membros da Unasul e pedir uma cooperação local para combater o problema do tráfico em seu país. Só que Uribe aceita o apoio norte-americano porque não quer perder seu posto de grande aliado do gigante. Isso não passa de subserviência infantil para garantir o cafuné do patrão. É uma abstrata lição de casa com rascunhos muito mal elaborados.

Lula pode ter aceitado essa imposição imperialista, que Obama poderia revisar em sua política externa. Mas sabe que a localização geográfica dos soldados norte-americanos na Colômbia não compromete o território amazônico, fonte que ele tanto teme uma invasão. Entretanto, a força geopolítica dos Estados Unidos é concentrada demais para não temer uma influência global generalizada que desencadeie numa manifestação de interesses dos mais ricos. Não é de hoje que a Guerra fortalece os Estados Unidos. Lembremos que ela se tornou uma potência após financiar as duas guerras mundiais. E investe severamente na Defesa para que esse poder seja mantido.

Portanto, é muito mais fácil discorrer que a América Latina perdeu seu senso de coletivismo e não consegue atingir um consenso. Para que isso ocorra, é necessário que os próprios componentes do continente confiem na política dos aliados e cooperem para que as ideologias não se enfrentem e formem um bloco dividido por ideologias contrárias. O efetivo desempenho dessa aliança entre os países da América do Sul carece de uma união que permita o fortalecimento da região. Para isso, a política de cada país não deve ser uma problemática; deve ser trabalhada de forma integral, ultrapassando os limites das oposições ideológicas direita x esquerda. Isso só é possível com muito diálogo e maturidade, respeitando as condições diplomáticas de cada membro.

A maioria dos países da América do Sul discordaram da posição de Uribe em manter o exército americano. Entretanto, Uribe não quis cooperar e atropelou todas as divergências de seu bloco. Pros EUA, é só mais um índice da eficácia de sua expansão militar mundo afora. Republicanos e conservadores agradecem. Já para a América do Sul, é uma desventura que põe em xeque sua força, sua conjuntura e sua ideologia. Nessa jogada, a Colômbia apenas cumpre seu papel de subserviência; não importa o quanto leve bronca do (ex) parceiro Chávez. E joga a credibilidade do bloco sul-americano às favas.

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quinta-feira, 23 de julho de 2009

O duplipensar de Netanyahu

Em um livro didático, Joãozinho lê que o Brasil "foi descoberto em 1500 por Pedro Álvares Cabral. Na nova terra, encontrou seres pelados que tinham costumes estranhos, como a submissão a mais de um Deus". Chegando em casa, ele conversa com o pai: "Como Pedro descobriu o país se os indígenas chegaram aqui primeiro. Não foram os índios que descobriram o país?". A resposta ficou vaga. O pai tentou explicar que foi a forma oficial de estampar o Brasil ao mundo. Astuto, João retrucou: "Só porque eles tinham caravelas?"

Futuramente, essa mesma dúvida pode martelar na cabeça de um garoto árabe que vive em Israel.
Binyamin Netanyahu, radical primeiro-ministro israelense, proibiu o uso da palavra 'nakba' (catástrofe) para descrever a criação do estado israelenese (1948) nos colégios árabes do país. Naquela ocasião, mais de 700.000 palestinos (que são árabes) que ocupavam a região foram expulsos dos assentamentos da chamada 'Terra Santa', para darem lugar aos judeus patrocinados pelos Estados Unidos.

Com essa medida, Netanyahu quer estimular o duplipensar, a manipulação da escrita que George Orwell (que foi
contemplado no post anterior) pôs em xeque na capacidade humana de satisfazer seus desejos maquiavélicos. Tirar dos árabes, que podem ser vistos como 'opositores' (pra não usar um termo mais pesado) à religião judaica, a liberdade de interpretar os acontecimentos, tomando como ponto de partida o prisma de sua religião, é um ato hediondo de reprimir a liberdade de expressão religiosa.

Porque detém o poder da casa, Netanyahu acha que pode convencer os estudantes árabes que o ato de Israel foi 'algo divino', consentido pelo Deus de suas Torás, e jogá-los contra os palestinos que sofreram - e ainda sofrem -- com o caos diário que ronda os assentamentos da Cisjordânia. Muito além de reprimir a liberdade de pensar dos árabes, é um mútuo desrespeito aos mais de meio milhão de palestinos que ficaram desabrigados por uma batalha religiosa excludente; e aos mais de 900 civis que morreram nessa disputa territorial movida pela ideologia.

Netanyahu já declarou publicamente que não vai dar trela àqueles que contrariarem aos ideários israelenses. Continuará na peregrinação do terror na Faixa de Gaza e ameaça, a qualquer custo, fazer o possível para desarmar seus inimigos. A recente prova dessa pauta ficou transparecida no encontro em que o Ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, teve com o presidente Lula e o chanceler Celso Amorim. Ele pedia a intervenção de Lula para que o Irã não avance nas pesquisas com urânio e tenha em mãos a bomba atômica. Lieberman pede que Lula assuma a liderança para 'negociar a paz' no Oriente Médio e, consequentemente, garanta a Israel a supremacia da região. Nenhuma decisão foi tomada ainda.

Alguns críticos apontam que essa decisão do governo israelense pode aumentar ainda mais a tensão entre os estados árabes e judaicos. Pegando carona nesse argumento, Netanyahu pretende fazer com que prevaleça sua imagem de autoridade em Israel e acaba assumindo uma posição tão nacionalista, que chega a ser autoritária. Assim como o Grande Irmão da Inglaterra Socialista de Orwell, o primeiro-ministro quer construir a seu bem querer um estado único, central, totalitário. E acaba desempenhando o mesmo papel de Mao Tsé-Tung na Revolução Cultural Chinesa -- moldar a história didática do país empregando termos positivistas para descrever o maoísmo.

Está longe de ser um comunismo chinês, que massacrou milhares de dissidentes no período de 1948-1970. Entretanto, Netanyahu acaba de subir o primeiro degrau para a dissolução da liberdade religiosa e interpretativa do país que assumiu há pouco tempo. É a tentativa de construir um amor à pátria, querendo regar sua história de feitos heroicos que inexistem.

Bem dizem que a educação é o pilar essencial para a construção de uma sociedade cívica. Maqueá-la, pode trazer consequências indesculpáveis na cabeça das crianças que lerem a tomada de Israel como um 'ato necessário, heroico e divino'. Provavelmente, não evitará que indagações como essa se tornem frequentes: "Sim, pai, mas como eles permaneceram na região, se já tinha habitantes que ocupavam essas terras?".

Pro pai explicar, vai ser mais uma longa "E"stória.

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A História se repete, só que em outro espaço geográfico. Honduras, um dos países mais pobres da América Latina, sofreu um golpe militar de Estado no dia 28 de junho, quando o presidente de cunho esquerdista, Manuel Zelaya Rosales, foi sequestrado pelo Exército e exilado para a Costa Rica. De maneira parecida, nosso país rabiscou essas mesmas linhas tortas em 1964, quando João Goulart, com suas ideias reformistas, foi exonerado do cargo da Presidência da República pela direita militar.

Ontem, o governo hondurenho presidido por Roberto Micheletti decretou Estado de Sítio - situação em que o país, censurado, impõe toque de recolher e controla, de maneira violenta, as repressões dos dissidentes ao governo. Isso, menos de cinco dias após a tomada do poder.

Apavora os representantes da direita de Honduras a crescente onda esquerdista na América Latina. A exemplo da Venezuela de Hugo Chávez, líderes do porte de Rafael Côrrea e Evo Morales vêm demonstrando interesse em perpetuarem-se na liderança governamental de suas respectivas nações, criando referendos que permitam a reeleição sucessiva. Inclusive, essa foi a arma dos militares para deporem Zelaya.

Honduras é considerado o segundo país mais pobre da América Central. Segundo dados do Programa Especial Para La Seguridad Alimentaria de Centroamérica (PESA) (divulgado pelo blog de Idelber Avelar), 56,8% da população hondurenha é indigente. De um total de 7,79 milhões de habitantes, 79,7% são considerados pobres.

Eleito em 2005 por uma ala centro-direita, Zelaya causou temor aos conservadores por manter uma relação política simpatizante com Hugo Chávez. Todavia, não contavam com o apoio internacional que o presidente expulso de seu país receberia de toda a América, inclusive do presidente dos EUA Barack Obama.

Mesmo assim, Micheletti não dá o braço a torcer:
"Não podemos chegar a um acordo porque há ordens aqui para capturar o ex-presidente (Manuel) Zelaya por crimes cometidos quando era um oficial", disse Micheletti em entrevista concedida em seu escritório no quase vazio palácio presidencial, atualmente cercado por vários soldados. "Ele nunca voltará ao poder", disse Micheletti sobre Zelaya. "Ele pode voltar após resolver seus problemas (legais). Ele poderia aspirar ser um político no Congresso ou um prefeito de sua cidade", sugeriu Micheletti.


O embaixador brasileiro em Honduras, Brian Michael Fraser Neele, foi ordenado pelo Itamaraty a permanecer no Brasil. Neele estava em férias no momento do golpe. Obama afirmou não aceitar a legitimação de um governo autoproclamado pela força. A União Europeia também repudia o Golpe. A OEA (Organização dos Estados Americanos) ameaçou expulsar Honduras do bloco, assim como fizeram com Cuba em 1962, quando Fidel Castro derrubou a ditadura de Fulgêncio Baptista.

Só que a História é alvo de si mesma. Se antes o mundo estava muito mais suscetível aos golpes direitistas, hoje a realidade aparenta ser diferente. Das muitas hipóteses que podem ser citadas, três fatos interferem de maneira significativa para que o período sombrio que assolou a América Latina nos anos 70-80 tenha grandes chances de não se repetir:
  1. A experiência de vivenciar ditaduras e 'ditabrandas' corrosivas para a democracia. Só na Argentina, entre os anos de 1976 e 1983, o cala-a-boca mais cruel da América Latina, imposto pelo ditador Jorge R. Videla, assassinou mais de 30 mil civis entre crianças, idosos e revolucionários. No Chile, Augusto Pinochet também aniquilou por volta de 25 mil entre os anos 1973-1990. O Brasil, apesar de não apresentar um elevado número de mortos como Chile/Argentina (o que não o torna uma 'ditabranda'), viveu o período mais longo sob o espectro da repressão: de 1964 a 1985.
  2. A globalização e o forte impacto das redes sociais. Por mais que o mundo disponha de informação abalizada da imprensa, agora reduzem-se as chances da grande imprensa (tal como a Globo, em 1989) patrocinarem Golpes de Estado e elegerem os candidatos à sua imagem e semelhança. Com a disseminação do Facebook e, principalmente, do Twitter, o povo que está presenciando a tomada do poder tem liberdade de expressão para clamar e denunciar as tiranias que envolvem seu país. O boicote das eleições iranianas é um grande exemplo.
  3. Com Barack Obama no poder, podem criticar, vociferar, estardalhar... mas a realidade muda completamente. Se antes os Estados Unidos tinha um presidente direitista e beligerante, com o intuito de espalhar ideologia consumista e homogeneizar a cultura americana, agora a maior potência mundial é governada por um líder que preza as relações políticas com a América Latina, tem um projeto econômico e social que envolve o globo como um todo e repudiou (algo inédito para um país que apoiou as ditaduras latinoamericanas na década de 60-90) o Golpe de Estado dos militares em Honduras.
Ou seja, teoricamente tudo está rolando em prol para que o presidente hondurenho deposto volte a exercer o cargo. Mas, nem sempre a intervenção de outros Estados pode mudar um regime vigente. ONU, EUA, Brasil, Europa, América Latina, todos podem ser contra, mas isso não quer dizer que a pressão mundial é totalmente eficaz em destituir do poder os tiranos instalados.

Por mais irônico que pareça, componentes da burguesia de Honduras e parte da imprensa estrangeira - da qual a brasileira se inclui - demonstram interesse na ditadura de Micheletti. O jornal El País, analisando o estado de sítio no país, conversou com um advogado trabalhista hondurenho como fonte da reportagem:

"No necesitan recortar las libertades, porque el país no está ardiendo y las manifestaciones contrarias al golpe no son ni muchas ni muy numerosas", explica Oswaldo, un abogado laboralista, "pero se ve que Micheletti no está seguro de los apoyos con los que cuenta y quiere amedrentar a la población".


O Jornal da Globo e o Portal Uol publicaram a errônea notícia de que a consulta presidencial feita no domingo em Honduras era sobre o segundo mandato. Na verdade, era uma consulta sobre uma Assembleia Constituinte que tornasse viável o referendo popular para a quebra da Constituição, que permitia apenas um mandato por governante. Essa informação foi coletada, apurada e sentenciada por @iavelar, que está espalhando notícias acerca de Honduras através do Twitter. (Recomendo que sigam-no.)
Zelaya, cujo apoio popular havia caído para níveis de 30% em meio à crise econômica, foi deposto quando promovia uma consulta não-vinculante sobre a reeleição presidencial. Essa consulta tinha a oposição da Justiça, dos militares e de setores do empresariados, dos políticos e da Igreja.
Pelo andar da carruagem, Micheletti não pretende dar o assento presidencial de volta à Zelaya. O ditador apresentou à Interpol a acusação de que o presidente deposto usurpou funções, abusou de autoridade e traiu a pátria. Para ele, essa seria a condenável justificativa para que o golpe dos militares seja legitimado. Honduras fica atrás apenas da Guatemala no ranking dos países mais pobres da América Central. A renda per capita média para cada cidadão, segundo dados do PESA, é de 2,876. A Guatemala apresenta quase o dobro: uma média de 4,313.

Além do mais, os hondurenhos dependem dos Estados Unidos para que sua pequena
economia gire. Com base na agricultura, cultivando café e banana, os ianques respondem por 67% das exportações e 52% das importações do país, o que garante um Produto Interno Bruto (PIB) de US$13,78 bilhões, tomando como base os dados da CIA World Factbook.

Portanto, Obama pode muito bem cortar as relações com um país que vive nos espectros da ditadura e comprometer toda a economia do país. Lá, as pessoas já não vivem bem. A imprensa insiste em noticiar que são poucos os manifestantes pedindo a volta de Zelaya, que também não garantiu muitos avanços em Honduras. Todavia, estudantes e revolucionários vão às ruas, sim, protestar contra essa imposição autoritária. Podem ou não ser simpatizantes do governo Zelaya, mas reinvidicam a favor da democracia, que não pode ser obstruída dessa maneira.


Com o passar do tempo, isso pode ou não reforçar a figura política de Zelaya no contexto internacional. Mas isso nem é a preocupação. O que se põe na balança é: como vai ficar o povo hondurenho?

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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Exportando cordialidade

Como nunca antes na história deste país, Luiz Inácio Lula da Silva esbanja de sua popularidade mundial. Apesar da última pesquisa realizada pelo Datafolha registrar uma queda de 70% para 65% da aprovação ao seu governo, o olhar externo reflete uma realidade um tanto quanto diferente.

Seu tom pacífico nas pautas internacionais, que incluem desde a aprovação da Venezuela no bloco Mercosul ao envio de exércitos brasileiros para uma missão de paz no Haiti, despertaram atenção nas hegemonias mundiais. Não é a toa que Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, o reverenciou no último encontro que tiveram.

A estagnação interna do Brasil, exemplificadas pelas abusivas ocorrências de corrupção e superfaturamento de obras governamentais, passam como meros casos isolados mediante à importância da cordialidade de Lula nos assuntos internacionais. Essa nova visão do Brasil pode ser uma saliência da política externa de FHC, que criava oportunidades para um livre mercado, mas é baseada através das referências de um presidente único - ao mesmo tempo astuto e ingênuo falastrão.

O mundo vive um clima de tensão, principalmente na busca astronômica de recursos naturais para sustentar a crescente população mundial. A irreversibilidade do aquecimento global acirrou ainda mais essa prioridade e tensionou algumas potências do petróleo, que podem ver seus cofres se esvaziando com essa nova 'caça global'. A crise mundial anunciada no último 15 de setembro também criou novas perspectivas de socorro para os países desenvolvidos.

Com isso, emergentes como Brasil, China e Índia ganham cada vez mais relevância nas decisões político-econômicas do globo. Brasil, por ser o país mais dependente de recursos naturais, tem uma inflência enorme nas discussões sobre biocombustíveis, exportação de carnes bovinas e agronegócios. E a personalidade por vezes magistral de Lula reforça sua importância pacífica para assuntos bilaterais estratégicos - um dos slogans da campanha de Obama.

A América Latina é palco de crise de identidades ideológicas e conflitos triviais entre alguns de seus líderes, esquerdistas ou não. A imprensa vive esculachando o governo de Hugo Chávez por aprovar uma emenda que permite sua reeleição após os oito anos de mandato; Álvaro Uribe e Rafael Corrêa tiveram um desentendimento graças à invasão colombiana no Equador para capturar refugiados das FARC; Evo Morales já criou barreiras protecionistas para o consumo do gás boliviano por parte dos brasileiros que moram nas áreas fronteiriças. E que papel o Brasil vem desempenhando? Amparar estes países e procurar a solução para os problemas de modo que não afete a correlação política do Mercosul - e não arranje problemas com os vizinhos a fim de evitar a intensificação desses conflitos.

Essa é uma política que vem atraindo Obama. Porque os líderes notórios como Chávez e o próprio Rafael Castro, irmão do guerrilheiro Fidel e autoridade máxima em Cuba, podem facilitar um diálogo produtivo com os Estados Unidos. Ambos países repudiavam o governo Bush e sua ignorância nas relações com as nações latino-americanas.

Mas agora é diferente. Obama preconiza a união diplomática com a América Latina e vê em Lula um importante aliado para esta conquista. Não é mais a política anti-terrorista que está em pauta, mas o conserto dos estragos políticos, econômicos e sociais causado pela negligência de Bush.

O tom paciente, recíproco e afável de Lula nos assuntos internacionais despontam a proeminência brasileira no mundo. Ganha o país, que poderá ser melhor interpretado pelo olhar estrangeiro e terá mais importância na solução dos problemas que realmente interessam ao mundo. Falta saber quais são as estratégias a longo prazo dos países desenvolvidos em aliarem-se ao Brasil. Como foi dito, somos independentes no abastecimento interno (e ainda sobra para o externo) com nossa riqueza de recursos naturais; não priorizamos o fortalecimento bélico, mas temos um exército capaz de defender a seguridade nacional.

Entretanto, a ampla multiplicidade cultural que o país abriga pode ser passível a uma exploração estrangeira estrategicamente planejada, que soma a internacionalização da Amazônia, a crescente submissão trabalhista aos turistas e uma possível falta de atenção ao guarnecimento de propriedades intelectuais do Brasil. Como se vê, nem sempre a política externa dissolve a problemática em relação aos assuntos estrangeiros - e olha que nem menciono a miséria, a péssima distribuição de renda e a excessividade de corrupção que aqui assolam.

O futuro é incerto e pode causar consequências drásticas ao país se todos esses contornos não forem devidamente revistos. Lula vem se destacando no cenário e pode criar um mundo com uma cara mais brasileira. Mas, como Sérgio Buarque já teorizou em Raízes do Brasil, a cordialidade pode se tornar um problema, tanto para relações internas quanto externas, por não priorizar o conhecimento intelectual dos assuntos que o rondam - algo que Lula, infelizmente, deixa de fazer. Aquele velho jargão: ninguém é perfeito.

Veja a paródia que fizeram com a aparição do presidente Lula no South Park:

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segunda-feira, 20 de abril de 2009

O incômodo da verdade atroz

Por questões ideológicas, a ONU mais uma vez deixa transparecer seu ocultismo perante às atrocidades que ocorrem no Oriente Médio. Por ser um órgão americano, ela jamais desviará os objetivos da Terra do Tio Sam para priorizar a paz mundial.

Mahmoud Ahmadinejad, o alvo das sanções do século, foi acusado de 'racismo' por condenar a 'política repressiva' de Israel sobre a Palestina. Como resposta, foi vaiado por alguns presentes na conferência e 'largado de mão' pelos representantes da União Europeia. "Nós, como os outros embaixadores, seguimos o conselho da presidência (checa) da União (Europeia), que dizia que quando escutássemos comentários não aceitáveis para a Europa, abandonássemos a sala. O presidente (Ahmadinejad) falou de um Estado racista, e por isso fomos embora", respondeu Javier Garrigues, embaixador espanhol da ONU, segundo o jornal El País.

O que intriga é saber como o peso da verdade cai como uma bigorna. Além de criticar a política opressiva de Israel, Ahmadinejad culpou a ONU por "receber com silêncio os crimes desse regime, como os recentes bombaredeios contra civis em Gaza". Israel já matou mais de 1.400 palestinos na região, dos quais conta-se mais de 900 civis.

Só que a ONU, com uma atitude similar às corporações patriotas, não trata de avaliar o fato e joga o lençol como se nada tivesse acontecido. Como se sabe, os judeus ajudaram na construção da intelectualidade americana e foram acolhidos pelos ianques durante o holocausto nazista da Segunda Guerra Mundial. Não cabe aqui discutir a cultura e religião judaica, tampouco julgá-la sob qualquer aspecto. O que deve ser reforçado é: os Estados Unidos deram Israel de presente para os judeus, e eles tomaram a terra da Palestina com a bandeira da ocupação territorial.

Israel tem armamento de peso para impedir a invasão do Hamas na Faixa. O local é território de disputa por abrigar Jerusalém, denominada Terra Santa da torá, bíblia dos judeus. Com o argumento de combater a facção do Hamas, os israelenses mantém um exército equipado de metralhadoras de última geração contra 'armas improvisadas' de alguns civis palestinos que ocupam a região - entenda-se pau, pedaço de madeira, pedras...

Com a aprovação de Binyamin Nitanyahu como primeiro-ministro do país, um acordo pacífico para a região torna-se cada vez mais inviável. Ele faz parte do partido direitista Likud, que admite utilizar todas as forças possíveis para combater o Hamas.

Em uma tentativa, a ONU acusou Israel de usar crianças como escudo na luta contra a facção palestina. Só que o governo israelense pediu arquivamento do caso, por ser uma informação 'infundada'. Fim de papo.

E o militarismo israelense pode crescer ainda mais, aumentando, consequentemente, o número de mortos na área de conflito. Antes de ser eleito, Barack Obama prometeu uma quantia de 30 bilhões de dólares como 'assistência militar' a Israel. Esta declaração foi feita antes da crise econômica, mas dá para perceber que o tom de apoio a esse terror continuará presente.

E se chamam Ahmadinejad de 'racista', obviamente é porque ele não teme a ameaça bélica da região. Israel vive pedindo sanções para que impeçam o avanço do enriquecimento do urânio, usado para a fabricação de bombas atômicas, no Irã. Há tempos judeus e árabes não se batem no Oriente Médio, e o sucesso dos iranianos com o armamento ameaçaria a hegemonia bélica de Israel naquele fragmento geográfico.

A forma de 'protesto' de algumas autoridades presentes na conferência da ONU demonstra o quão preocupados os países desenvolvidos estão com aquela região de massacre diário. Israel leva vantagem quilométrica em relação aos países de origem árabe na conquista de suas prioridades. Enquanto isso, Irã tenta dar um passo para se tornar um gigante perante às ameaças israelenses. Já Palestina e Afeganistão, sem forças, influências ou conquistas, rezam para que a barbárie abandone seus territórios.

Se depender das autoridades da ONU, tudo ficará como está. O tom desafiador de Ahmadinejad é alvo de repugnância por parte da União Europeia. Ele pode ser condenado pelo que for (inclusive com o apoio da imprensa), mas não por ocultar a verdade diante de gente grande. Isso, de certa forma, parece não ser aceitável para Europa e alguns países desenvolvidos.

Mau começo.

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