terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

04. Iconoclastia versus musicalidade

A clássica capa do álbum The Doors (1967)


INÍCIO DO PUNK - THE DOORS
Parto iniciado com louvor só traria mais adeptos com o passar do tempo. E, mesmo trabalhando sob outras perspectivas, Jim Morrison e os Doors também ganharam incorporação às origens punk. Para voltar os olhos da imprensa sobre o que estava acontecendo, Danny Fields sugerira uma aproximação de Nico, a rejeitada dos Velvets, e Morrison. “Acho que Danny teve problemas com Jim Morrison porque achou que poderia mandar nele (…). Eles estavam no Castle, e Jim estava muito bêbado e muito louco, e Danny ficou com medo de que ele morresse se pegasse o carro. Então Danny pegou as chaves de Jim. E Jim ficou completamente puto com Danny por causa disso”, disse Steve Harris, ex-diretor de publicidade da Elektra Records.

Diferente do Velvet Underground, The Doors misturava uma instrumentalidade lúdica com elementos do rock´n roll, onde se destaca o aparente virtuosismo do tecladista Ray Manzarek - principalmente no single de sucesso “Light My Fire”, escrita pelo guitarrista Robby Krieger. Mate-me Por Favor, além de traçar todo esse cenário emergente, traz relatos de indiferenças e desavenças de artistas envolvidos com o punk. Sobre o legendário vocalista dos Doors, Danny Fields dispara: “Jim Morrison era um bundão insensível, um corrupto, uma pessoa ordinária. Levei Morrison ao Max´s, e ele foi um monstro, um pentelho. E a poesia dele era um saco. Ele rebaixou o rock´n roll enquanto literatura. (…) Morrison não fazia poesia. Era lixo disfarçado de coisa moderninha e alternativa. Era rock pra garotos de treze anos. Ou de onze anos.”



Infelizmente, no auge do sucesso, a idade maldita levaria Jim Morrison desta para uma melhor . Aos 27 anos, sob causas misteriosas, os fãs ouviriam o último sussurrar deste ícone no dia 3 de julho de 1971, após uma suposta dosagem de heroína. Entretanto, permanece o mistério acerca da ambição de Morrison em querer fugir da fama que lhe entediava e viajado para algum lugar misterioso, depois de descobrirem que não haviam realizado autópsia alguma antes do seu enterro. Ray Manzarek recentemente levantou essa polêmica ao divulgar que ele poderia ter fugido para algum lugar da Índia ou do chifre africano.

Não era a atitude de Morrison que entediou o movimento. Suas longas viagens de marijuana e ácido ensandeciam e davam o tom para toda a criatividade musical do grupo. Os Doors realmente faziam rock’n roll de um jeito diferente: explorando detalhes minimalistas nos instrumentos e partindo para a poesia mórbida e sensível em seus álbuns posteriores.

A poesia também seria influenciada para o surgimento oficial do movimento. Enquanto o Velvet Underground traçava o pleno perfil urbano daqueles jovens que queriam deteriorar o ‘passado revolucionário’ dos anos 60 e simplesmente conquistar a liberdade de destruir suas vidas como bem quiser; e os Doors falando sobre relações amorosas e utopias adolescentes com maturidade sonora, outras vozes surgiam dos escombros de Detroit: as potentes bandas MC5 (Motor City Five) e The Stooges.

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