segunda-feira, 2 de março de 2009

05. Do niilismo para o fundo do abismo

PROTO-PUNK - THE STOOGES
Iggy Pop é um grande conhecido do público por suas loucuras, performances marcantes em palco e por uma voz rouca que atinge do agudo peculiar ao mais assombroso dos graves. “Em 1966, Iggy ainda era Jim Ostenberg, um cara certinho quando conheci na escola. Ele andava com aqueles garotos comuns que vestem roupas de sarja, suéteres de cashmere e mocassins baratos. Iggy não fumava cigarro, não se chapava, não bebia”, revelou Ron Asheton, guitarrista dos Stooges.


A mudança radical em Iggy iniciou quando ele era baterista de uma banda de blues. A excessiva boemia dos negros bluesman e a apreciação das músicas de Paul Butterfield Blues Band, Muddy Waters e Chuck Berry levariam o Sr. Iguana a seguir o conselho do guitarrista Mike Bloomfield de ir pra Chicago. “O que percebi naqueles caras negros foi que a música escorria como mel dos dedos deles. Verdadeiramente infantil e encantadora na sua simplicidade. Era apenas uma forma muito natural de expressão e de estilo de vida. Eles estavam bêbados o tempo todo, e era tudo sexo e camaradagem e era apenas um bando de caras que não queriam trabalhar e que tocavam bem”, relatou Iggy Pop. Dessa veneração para a primeira experiência com um baseado foi um pulo. “Sempre quis usar drogas, mas nunca pude porque a única droga que eu conhecia era a marijuana, e eu era asmático pra caramba. Antes disso, eu não estava interessado em drogas, nem em encher a cara”.

A primeira manifestação da influência das drogas nas canções de Iggy, que com o tempo se juntou aos irmãos Ron (guitarrista) e Scott Asheton (baterista) e o baixista Dave Alexander , surgiu com a letra de “I Wanna Be Your Dog”, talvez a canção que mais marcou o recém-nascido proto-punk (origem do punk). Com um riff simples e um som de fundo que lembra uma corrente, a letra é uma banalidade às canções amorosas; mais uma atitude mesquinha, uma verdadeira anti-música contra-regras em todos os gêneros e formatos - porém genial, certamente o single mais marcante do grupo. Tendo um moderado John Cale como produtor, o primeiro trabalho, The Stooges, saiu com canções explosivas e genuinamente barulhentas com amplificadores triplos. “1969”, com um solo estarrecedor, traz uma temática absolutamente niilista, mostrando uma verdadeira ressaca à efervescência jovem. “It´s another year for me and you / another year with not to do” (“Mais um ano pra mim e pra você / mais um ano sem nada pra fazer”). Os ‘wha-whas’ de Ron Asheton, a levada blues na bateria de Scott, os vocais intrépidos de Iggy Pop e a relativa sincronia com os slaps de Dave foram essenciais para a criação de um dos maiores álbuns do movimento proto-punk. Em “We Will Fall”, os Stooges atingem uma sonoridade que lembra uma voz ao fundo do abismo, algo que remete às trilhas sonoras de filmes de terror. “No Fun” confirma o tédio, o vazio dessa geração que procurava uma nova fonte de identificação para cometerem suas atrocidades banais de forma natural, como se todo o cenário daquele tempo fosse propício à autodestruição.


Mas a autodestruição, com o tempo, passou a ser o cotidiano de Iggy, Dave e Scott. Junto com o sucesso, veio a proximidade com drogas mais pesadas como anfetaminas e heroína. Ron Asheton, o único ‘careta’ do grupo, cansava de vivenciar a chapação ininterrupta dos outros integrantes. Pela música e pela paixão de tocar, fez o possível para agüentar firme as posteriores desavenças.

Foram em circunstâncias decadentes que a banda se sentiu apoiada por John Cale para gravar The Stooges. Durante as gravações, Iggy foi se aproximando de Nico. “A gente transava todo dia. Realmente eu gostava de estar perto dela, ela realmente me excitava”, declarou o Sr. Iguana. Tanto sexo irreverente sem prevenção traria uma notícia não muito estimulante para Iggy: adquirir uma gonorréia.

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