PROTO-PUNK - THE STOOGES
De tantos shows, vômitos, nervosismos, overdoses e bebedeiras, aos Stooges só restavam o declínio. Na busca de uma sonoridade mais livre, em uma casa abandonada saíam os primeiros acordes do segundo álbum, Fun House. “Paz e amor não fizeram muita parte dele. No fundo a gente não se importava muito em fazer alguém se sentir bem. Estávamos mais interessados no que estava acontecendo realmente, na merda tediosa que era e no jeito que de fato você era tratado. “Dirt” é um exemplo perfeito de como era nossa atitude. Sabe como é: ‘Foda-se essa merda, somos lixo, não importamos’”, disse o baterista Scott Asheton.


Além dessa emblemática faixa, “Down On The Street”, “Loose”, a pesada e densa “T.V. Eye” faziam parte do repertório. As influências distintas de cada integrante trariam à banda Steve McKay, um saxofonista experiente na arte do jazz para tocar “1970” (com uma sincronia infalível na bateria de Scott e a liberdade rítmica na guitarra de Ron), “Fun House” e “L.A. Blues”, com um instrumental absolutamente desafinado, pungente e insípido, soando como realmente os Stooges queriam ser. (Faixa que lembra bastante “The European Song”, do Velvet Underground.)


Depois desse trabalho, alguns ‘espectros’ sobreviriam na carreira de alguns integrantes. Alexander, que já fora expulso por Iggy da banda após a finalização de Fun House, tempos depois não aguentaria um ataque de overdose. A notícia veio seca da boca de Iggy Pop: “O Xander morreu de overdose, mas eu não estou nem aí, nem gostava dele mesmo”, causando espanto para os irmãos Asheton.

Os outros dois ‘espectros’ encarnaram nas peles de David Bowie e James Williamson. Bowie era um grande fã de Iggy e queria, a qualquer custo, impulsionar a carreira solo dele. Depois de serem apresentados, não se desgrudaram até a gravação do próximo trabalho. Como uma coisa puxa a outra, Williamson, que acabou sendo redescoberto (pois era colega de escola de Ron) após a contratação de um novo baixista para a banda, também começou a acompanhar as viagens desvairadas de Iggy na heroína. Repentinamente, Bowie chamou os dois ‘novos amigos’ para gravar na Inglaterra – mas faltava um baterista e um baixista à altura. Caídos no esquecimento, os irmãos Asheton foram recrutados pelo Iguana a viajarem e gravar Raw Power . “Estamos sem um baterista e um baixista e precisamos gravar, vocês não querem vir com a gente?”, foi a abordagem feita à Ron. Cabisbaixos pela rejeição, Ron e Scott não tiveram outra opção: a falta de grana falou mais alto e os irmãos acabaram embarcando.

Era visível o tratamento diferenciado que Williamson e Iggy tinham de David Bowie e, (que novidade!) em condições não muito amigáveis, saiu o terceiro trabalho. O próprio nome da nova fase da banda de Iggy dava um tom de exclusão por parte dos outros integrantes – Iggy Pop & The Stooges.


Realmente, existia uma distinção enorme em relação aos álbuns anteriores. Com Ron Asheton no baixo, Williamson aproveitava para mostrar sua unicidade arrebentando com os riffs ensurdecedores e tirando alguns solos. “Search and Destroy”, a monstruosa “Your Pretty Face is Going To Hell”, a faixa-título “Raw Power” e “Death Trip” são clássicos exemplos do empenho do novo integrante e dos envolvidos no trabalho em alterarem toda a sonoridade dos velhos patetas.

Após o efêmero sucesso do álbum, Iggy Pop viria a deslanchar sua carreira solo com o auxílio de David Bowie, resultando em trabalhos experimentais como “Lust For Life” e “The Idiot” – mas aí, seu som foi saindo das raízes do punk e atingindo várias misturas, do soul ao blues. Em 2003, os Stooges originais (Ron, Scott e Steve McKay) viriam a se juntar novamente. A relação foi tão positiva que durante os shows as canções de Raw Power, intrínsecas às desavenças dos integrantes, já não são mais tocadas ao vivo. Em 2007, a banda gravou seu último trabalho em estúdio: The Weirdness.

Infelizmente, no início desse ano, dia 6 de janeiro, outro ‘espectro’ assombraria os Stooges: a repentina morte do guitarrista Ron Asheton. As causas ainda são misteriosas, mas alguns médicos alegam insuficiência cardíaca. (Ironia: logo o mais careta viria a falecer primeiro.) Será que os Stooges seguem a trajetória sem um dos principais responsáveis pela sua sonoridade peculiar? Quem sabe se nenhum outro ‘espectro’ comprometer os outros integrantes.


Mas nem só de destrezas deve ser o universo musical, mesmo no cenário punk. Já experiente em misturar ingredientes sonoros em suas músicas, principalmente nos seus trabalhos solo, Iggy Pop anunciou que até o meio do ano sairá seu álbum de jazz, baseado na obra A Possibilidade de uma Ilha do escritor francês Michel Houellebecq. “Foi feito especialmente para a França e para aqueles que falam francês”, disse o Sr. Iguana.

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