Glen Matlock, Johnny Rotten, Steve Jones e Paul Cook
SEX PISTOLS - NEVER MIND THE BOLLOCKS HERE'S THE SEX PISTOLS (1977)
Espere... Londres chamando. A invasão do punk atravessa o Atlântico e aterrisa no âmbito insano da capital inglesa. Junto com a travessia, o minimalismo instrumental dos Ramones, um pouco do realismo urbano do Velvet Underground e o significado do termo 'geração vazia', cantado por Richard Hell nos Voidoids. Entendendo estes termos, não há dicionário do rock algum que defina melhor a estética dos Sex Pistols.
"O rock'n roll está acabado, você não entende? Nós somos a última banda de rock", vociferou John Lydon, transformado em Johnny Rotten para integrar os vocais dos Pistols. Junto a ele, Steve Jones (guitarra), Paul Cook (bateria) e Glen Matlock (baixo). Inicialmente, a banda fazia covers de bandas de garagem, tocando The Who, Kinks e arriscando-se nos clássicos de Chuck Berry. Ok. Eis que chega um renomado experimentalista na arte do 'estilo' e molda os Pistols conforme seu desejo de imagem e semelhança: Malcolm McLaren.
"Minha relação com os Sex Pistols era uma ligação direta com aquela opressiva angústia existencial, motivo primordial para fazer qualquer coisa no rock, abandonando aquela coisa de carreira, e trazendo aquele espírito amador de faça-você-mesmo", declarou McLaren. Ele presenciou a cena que emergia em Nova York e se encantou com a ousadia de Richard Hell cantando "Blank Generation" vestindo uma camiseta com os dizeres 'Please, Kill Me'. Ainda na capital do punk rock, os New York Dolls lhe vislumbraram o arquétipo perfeito para a criação de algo totalmente ousado. McLaren pegou o voo para Londres de volta e vestiu os Pistols com andrajos rebeldes e os estimularam a compor suas próprias canções.
"Pretty Vacant" foi o primeiro resultado, revelando um cenário nauseabundo que permeava a bela capital inglesa. Encantaram os novos fãs que surgiram e se empolgaram para lançar os hoje clássicos "Anarchy in The U.K." e "God Save The Queen", gritando para todos os ouvidos o quão descontentes estavam com todo aquele contexto social através da linguagem niilista herdada do mestre Iggy Pop.
Os Sex Pistols fizeram tanto barulho que atraíram as manchetes dos principais tabloides, pautadas pelos escândalos diários que os integrantes adoravam cometer. Negaram todas as influências e se autodeclamaram "inventores do punk", proclamando a balbúrdia por onde deixassem rastro.

Vicious foi preso, mas mesmo assim não deixou a insanidade de lado. Pagou uma fiança equivalente a U$$50 mil e, pouco tempo depois, sofreu uma overdose de heroína que acabou matando-o. Muitos o assimilam ao símbolo do punk rock. Enquanto baderna, agressividade e atitude não há dúvidas - isso fazia parte da prerrogativa do movimento. Os Sex Pistols realmente polemizaram a cena e foram eficazes no discurso vazio em sua essência - sem deixar de serem inegavelmente realistas e, ao mesmo tempo, assustadores. Foram o adorno essencial da rebeldia jovem setentista. Trouxeram outra perspectiva para a 'geração vazia', mas não foram o complemento vital ou a peça chave. Merecem o crédito de importantes divulgadores, não de criadores do punk. Ou todas as outras bandas ficariam em segundo plano.
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