terça-feira, 2 de junho de 2009

Uma consideração ao dia das prostitutas


- Não acredito que tenha se rebaixado tanto!


- Por quê? Só porque dei uma?


- Não, pelo simples fato de ter pagado pra ter feito isso. Tem tanta mulher por aí!


Bizarrices como essas são recorrentes em uma moderninha turma de amigos sentados ao bar com copos de cerveja em mãos.


Categórica associação ao machismo, o homem que se preze adora comentar com o parceiro quando acerta no alvo e consegue trazer à prática a estadia perfeita com a mulher dos seus sonhos. Disso, entenda-se, conseguiu fazer sexo (com álcool e quiçá drogas) a noite inteira.


Por mais camuflado que possa parecer (para alguns posso estar falando grego), aqui no Brasil - pelo menos em São Paulo -, nem sempre se dão bem os homens que posam de machão; outras questões (as quais prefiro não citar) estão envolvidas, e a mentira às vezes paira nos papos de boteco quando aquele sujeito se vê encalhado na porca miséria da temida 'seca'.


Eis então que há uma salvação: os famigerados 'night clubs'.


No reduto de solteiros e casados, as garotas de programa atraem com suas técnicas de sedução tão diferenciadas quanto se possa imaginar para conquistar o cachê da noite e garantir o custo-benefício mensal para custear tarefas que jamais ligaríamos à profissão de uma prostituta.


E é aí que beira o problema. Se é permitido roubar e se reeleger quantas vezes der na telha; criar um rombo no estado equivalente à mais de R$1 bilhão e se manter em 'cárcere privado'; bater em favelado por ser suspeito e ainda dar lição de moral como sobremesa, por que até hoje paira um perceptível preconceito com as prostitutas em nossa sociedade?


Tudo bem que é impossível relacionar seus 'jobs' à honestidade, mas quem vive sem sexo depois de perder a virgindade? Como todos os personagens escrachados da horrenda cultura brasileira, as putas se integram às gargalhadas fáceis dos alvos das piadas, tal qual homossexuais, portugueses, argentinos, bêbados...


Sexo é bom e cada vez mais a sociedade admite sua onipresença. Fazê-lo em excesso não é abuso, tampouco viver às custas dele. Vale lembrar que muitas garotas se envolvem na prostituição por opção própria, mesmo mantendo boas condições de vida.


O único perjúrio acerca deste 'mercado' é a existência dos ditos 'cafetões', aliciadores do sexo que tratam as putas como 'produto' e lucram com o prazer proporcionado por seus órgãos genitais. Esta sim, pode-se dizer que é uma profissão repugnante, porque também faz uma lavagem cerebral em crianças imaturas que nem corpo possuem para a prática do sexo.


No simbólico dia da prostituta (já que pra tudo tem seu dia próprio), clamemos por uma independência destas 'profissionais' que mais uso fazem de sua beleza dionisíaca. Já passou da hora da sociedade enxergar que esse 'mercado' faz parte da vida de todos muito antes de Jesus perdoar Maria Madalena.


E já que o assunto é quebra de preconceito, é importante lembrar que recorrer ao prostíbulo não é sinal de depravamento. Muito pelo contrário, está mais ligada ao 'status', a uma boa posição na sociedade. O 'Bahamas' tá aí pra comprovar!


Portanto, botequeiros, deixem os nerds e abstêmios em paz.



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2 Atemporalizados:

Mellany disse...

Obrigada =], suas observações tem conteúdo, mas fico até sem jeito quando vejo o seu blog, você é um jornalista de mão cheia, se expressa muito bem. Me visite mais vezes...adoro saber oque pensam dos meus textos. Abraço.

Tiago Ferreira da Silva disse...

Você já é bem vinda nesta página!
Fico feliz pelo convite aos seus devaneios...
rsrsrrs
Claro que visitarei, é que ultimamente ando meio sem tempo!
Mas, assim que possível, pouso por lá, abraço!

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