terça-feira, 18 de agosto de 2009

Marina Silva entre utopias, interesses e pragmatismo


É quase certo que a senadora Marina Silva, que sai do PT para o PV, se candidate à Presidência de 2010. O impacto de sua candidatura ainda é incerto. A ex-ministra do Meio Ambiente é conhecida por suas utopias e por uma história de vida muito singular. Marina só aprendeu a ler aos 16 anos, quando mudou para a capital de seu estado de origem, o Acre. Ela é discípula das ideias de Chico Mendes, seringueiro protetor da Amazônia que foi assassinado pela família Alves, em 1988.

A pesquisa Datafolha, feita entre 11 e 13 de agosto, ouviu pouco mais de 4.000 opiniões e constatou que a senadora garante 3% na contagem de votos. Desnecessário dizer que esse dado é superficial ao extremo.

Entretanto, o que mais atrai na possibilidade de ter Marina Silva presidenta é o apego com os seus ideais. Como ela disse que está em busca de novas utopias, acabou optando em migrar-se para o PV.

E aí repousam os questionamentos. Primeiro, a sigla já não é mais identificada como uma luta por valores ligados ao ambiente, bandeira máxima de Marina. A sigla é liderada por Zequinha Sarney, cujo sobrenome dispensa comentários. Além do mais, nunca conseguiu avançar em seus projetos. Desde que foi criado em 1986 por Fernando Gabeira, acabou deixando de lado as pretensões revolucionárias para garantir apoio eleitoral. Hoje, o PV conta como parceiro a aliança PSDB-DEM.

Portanto, o anúncio de sua candidatura abala com veemência os planos de Lula e sua candidata Dilma Rousseff. Isso porque os eleitores de Dilma, com Marina na disputa, ficam indecisos, já que são duas mulheres que complementam suas biografias com a aversão à ditadura nos anos 80. Com essa possibilidade, os conglomerados como Folha e Estadão, partidários de José Serra, clamam. Isso porque eles apostam que Marina tem apenas o poder de abalar a candidatura de Dilma, dando margem para que algum representante do PSDB seja o sucessor de Lula no Planalto.

Só que os tempos são outros. A bandeira de Marina Silva é muito mais ativista e simbólica que os projetos conservadores e imprecisos de Serra. Agora, o meio ambiente e o crescimento sustentável podem se tornar alternativas possíveis. Isso com certeza auxiliaria o Brasil no combate ao desmatamento e elevaria sua importância internacional como fator decisivo para um novo projeto de desenvolvimento dos países emergentes. Com isso, não é fantasioso pensar que o Brasil poderia ser o pioneiro em unir crescimento econômico com preservação do meio ambiente. A necessidade de conter o aquecimento global é preponderante para que essa causa seja levada adiante.

Até aí, tudo bem. Mas, e o PV? Abraçaria essa causa também? Há tempos que a causa climática foi abandonada pelo partido. Esse trecho retirado de uma matéria do jornal Valor Econômico (para ler a matéria na íntegra, clique no jornal ao lado) resume:

Se a senadora, porém, sai do PT porque é um partido que já não permite “alimentar utopias”, o PV que lhe oferece legenda não lhe desperta a ilusão de ser perfeito, como a própria ministra reconhece. Para alguns analistas, em vez de utópico, o PV seria demasiado pragmático. O deputado estadual paulista José Olímpio Gomes, conhecido e registrado na Justiça Eleitoral como “Major Olímpio”, acaba de desligar-se do partido e diz que o PV quer mesmo é ser governo onde o aceitarem. “É assim na cidade, no Estado e na União”.


Vendo por esse ângulo, a utopia de Marina Silva já inicia na possibilidade de desenvolver seus projetos no partido. Fernando Gabeira é prova viva. Ele sempre abraçou a causa verde e a bandeira da ética na política, mas só conseguiu surpreender as pesquisas eleitorais ano passado (ao perder para Eduardo Paes, do PMDB, para prefeito no Rio de Janeiro com menos de 2% de diferença) ao incluir na sua pasta a questão da segurança. Ou seja, para que a candidatura de Marina Silva se torne viável, ela terá que abrir concessões e jogar um pouco do jogo dos burocratas. Ela bem que tentou no Ministério do Meio Ambiente, mas não suportou as pressões e caiu fora.

Ainda que seja bem quista pelo Presidente Lula, Marina ainda se empenha numa batalha onde usará 'forças tranquilas', slogan eficaz do ex-presidente socialista francês François Mitterand (1986-1995). Provavelmente não irá rebater argumentos mesquinhos e invasões de vidas privadas, ambiente que se tornou os debates políticos.

Marina é a candidata que mais alude à Obama. Ela evoca a mudança, se apregoa à causa ambiental (algo mais atual do que nunca), joga o país para uma nova utopia. E, muito além disso tudo, já pegou no batente, tem um referencial histórico em riste para representar o povo brasileiro. Marina não se assemelha só à Obama. Ela se assemelha bastante à Lula biograficamente, que mantém elevado seu alto índice de popularidade. O que fica no ar é como Marina Silva, se candidata à Presidência da República, conseguirá viabilizar suas utopias progressistas.

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